📝 Nas teias do amor e da poesia: a visão de Edgar Morin
🔎 Filósofo da complexidade aos 102 anos revela como amor e poesia se entrelaçam como resistência às crueldades do mundo
⏱️ Tempo de leitura: 5 min • Categoria: Filosofia
📰 Texto Principal
Edgar Nahoun (mais tarde Morin). Filósofo da complexidade, nasceu em Paris em 1921, francês, de origem judaica sefardita, parcialmente italiano e espanhol, amplamente mediterrâneo, europeu cultural, cidadão do mundo, filho da Terra-Pátria. Sociólogo, antropólogo, historiador, doutor honoris causa em 17 universidades e um dos últimos grandes intelectuais da época de ouro do pensamento francês do século XX. Aos 102 anos, é autor de mais de 60 livros sobre temas que vão do cinema à filosofia, da política à psicologia, e da etnologia à educação. Sua obra mais importante — composta por 6 volumes — não tirando o mérito das outras —é: O método.

Assim, se apresenta com uma identidade única e plural. Para Morin, mesmo acreditando nas certezas, precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando ilhas ou arquipélagos, onde nos reabastecemos. A incerteza e o inesperado precisam ser integrados na História humana.
O amor e a poesia são lembrados por Edgar Morin sob o olhar da complexidade, como fios essenciais na tapeçaria do viver. A palavra complexo deve ser entendida em seu sentido literal: “complexus”, aquilo que se tece em conjunto. Segundo ele, o amor é algo único, como uma tapeçaria tecida com fios extremamente diversos, de origens diferentes. (Morin, 2001, p. 16). Neste sentido, pode-se afirmar que por trás de um “eu te amo”, há um componente físico, biológico, sexual e corporal.
Na perspectiva de Morin, o amor é “encontro e descoberta”, mas é também incerteza, risco e metamorfose, é entrega e o medo de perder-se. O amor, na perspectiva moriniana, é também a experiência do outro, é um mergulho na alteridade. Amar é, ao mesmo tempo, reconhecer e desconhecer, acolher o mistério e o imprevisível. Sendo possível, nossos rostos cristalizarem os componentes do amor. Daí a beleza e o drama do amor na sua essência: criar laços sem jamais aprisionar.
Então, o que é o amor?
Morin vê o amor como uma forma de resistência às crueldades do mundo, promovendo a união e a ética em oposição ao ódio e à separação. Em sua obra Amor, poesia, sabedoria (2001), Morin explora o amor como um elemento que nos conecta com a poesia e a sabedoria, convidando-nos a refletir sobre a importância de amar com a complexidade da vida, a qual é, ao mesmo tempo, trágica e magnífica. Ele se considera um “eterno amoroso”. Viúvo inconsolável, o sociólogo Edgar Morin escreveu, em 2009, uma declaração de amor à “Edwige”, sua esposa com quem partilhou sua vida durante 30 anos.
Nas palavras de Morin…
“Edwige era uma mulher muito secreta e pudorosa. Com exceção de algumas amigas, as pessoas não a viam senão através das aparências. Então, eu senti a necessidade de fazê-la reconhecer. Era uma pessoa que exalava poesia por sua grande capacidade de admiração. Ela ficava maravilhada com a nossa gata, com a natureza, com as belas coisas da vida. Ela amava a beleza de uma maneira extraordinária e sentia tudo o que é poético na vida. Eu considero que o amor está em um casal quando o outro é fonte de poesia. Se um dos dois deixar de ser isso, não faz mais sentido” (Morin, 2011). Assim, o amor, na poesia da vida, segundo ele, deve espalhar-se pela vida na totalidade, com seus sonhos e acasos.

Nas teias do amor e da poesia: elos inseparáveis.
Para Morin, amor e poesia são inseparáveis. Ambos nascem do desejo de transcender o imediato, de criar comunhão com o mistério do viver. Nesse sentido, a dimensão poética vai além dos poemas, alcançando a poesia da vida. Desse ponto de vista, parece claro a necessidade de reconhecimento que pode ser manifesto através do amor. Ser amado é ser considerado e digno de amor, ser admirado e visto como uma pessoa amada, boa e bonita, satisfazendo a autoestima, cujo pilar é reconhecer e conferir legitimidade ao outro. Morin diz que ela é um gesto poético, tornando a vida mais ampla, mais porosa, mais verdadeira. Afinal, somos razão, emoção, dedicação e poesia.
O poeta ama o encanto das emoções, das suavidades do amor correspondido.
Para ele, ao abraçarmos o amor e a poesia, tornamo-nos mais inteiros, mais humanos — capazes de viver, pensar e sentir com toda a riqueza e ambivalência que a existência nos oferece.
Concluo, desejando que essa narrativa provoque em você, leitor(a), a capacidade imaginativa para a criação de obras-primas de poesias, literaturas e artes, permitindo ao amor revelar a sua beleza secreta.
⭐ Principais Pontos
- Edgar Morin, aos 102 anos, é autor de mais de 60 livros e doutor honoris causa em 17 universidades • Amor é “complexus” – tapeçaria tecida com fios diversos: físico, biológico, sexual e corporal • Amor é “encontro e descoberta”, mas também incerteza, risco e metamorfose • Para Morin, amor é resistência às crueldades do mundo, promovendo união e ética • Amor e poesia são inseparáveis, ambos transcendem o imediato e criam comunhão com o mistério do viver
❓ Perguntas Frequentes
Quem é Edgar Morin e qual sua contribuição para o pensamento contemporâneo? Edgar Morin é filósofo da complexidade, nascido em 1921, aos 102 anos é autor de mais de 60 livros. Sociólogo, antropólogo e historiador, é um dos últimos grandes intelectuais franceses do século XX, criador da teoria da complexidade.
Como Morin define o amor na perspectiva da complexidade? Para Morin, amor é “complexus” – uma tapeçaria tecida com fios diversos de origens diferentes. É “encontro e descoberta”, mas também incerteza, risco e metamorfose, sendo uma forma de resistência às crueldades do mundo.
Qual a relação entre amor e poesia segundo Edgar Morin? Amor e poesia são inseparáveis para Morin. Ambos nascem do desejo de transcender o imediato e criar comunhão com o mistério do viver. O amor existe quando o outro é fonte de poesia, tornando a vida mais ampla e verdadeira.
📚 Fontes e Referências
- MORIN, Edgar. Amor, Poesia, Sabedoria. 3ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 2001
- Entrevista “Eu sou um eterno amoroso”. Revista La Vie, 04-04-2011
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