Por Que Ariano Suassuna Defendia a Cultura Nacional na Literatura?

📚 Por Que Ariano Suassuna Defendia a Cultura Nacional na Literatura?
“Para Ariano, literatura sem raiz é planta de plástico. O Brasil precisa se reconhecer antes que alguém de fora diga quem ele é.”

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱️ Tempo de leitura: 5–7 minutos
📝 Gênero: Ensaio / Crônica sobre literatura e identidade nacional

 

📰 RESUMO
No ensaio “Por Que Ariano Suassuna Defendia a Cultura Nacional na Literatura?”, Jeane Tertuliano mostra como o autor via o desprezo pelo nacional como um sintoma existencial do Brasil: um país que ainda não se reconhece e, por isso, não se defende. Ariano não queria fechar as portas ao estrangeiro, mas sim abrir os olhos dos brasileiros para o valor do próprio chão. Fundador do Movimento Armorial, ele uniu erudito e popular, rabeca e violino, cordel e romance, defendendo que o universal nasce do autêntico. Para ele, amar o Brasil era um ato corajoso, que exige respeito ao sertão, ao repente, ao que é nosso. Sua luta era contra o “complexo de vira-lata”, não contra o outro — mas a favor de uma arte que suasse, rezasse, risse e debochasse com a mesma boca.

Fato é que o brasileiro ainda acredita que tudo o que vem de fora tem mais valor! Nas artes, esse vício chega a ser patológico. Valorizar o que se cria aqui parece um ato quixotesco, uma tentativa persistente de esmurrar a ponta de uma faca. Ariano Suassuna, no entanto, não recuou diante dela e ainda fez graça da dor.

Ele sabia que o problema do Brasil não era apenas estético, mas existencial. Falta-nos senso de nação, e o que não se reconhece não se defende. Sua literatura e suas falas foram espelhos erguidos contra o apagamento da própria imagem. Ariano via o país como um povo que precisa se alfabetizar em si mesmo antes de estudar o alfabeto do mundo.

Ao fundar o Movimento Armorial, não buscou isolamento, mas encontro. Quis unir o erudito e o popular, o violino e a rabeca, o cordel e o romance, para que se ouvisse uma só língua: a do Brasil profundo, esse que fala cantando e pensa sorrindo. Enquanto muitos acreditavam que ser “universal” era imitar o estrangeiro, Ariano mostrava que o verdadeiro universal nasce do que é autêntico!

Com humor cortante, dizia que o artista brasileiro precisava parar de pedir visto para entrar em sua própria cultura. E insistia que deveríamos aprender a gostar do que é nosso antes de venerar o que nos vendem como superior. Esse “nacionalismo” não era fechamento, mas amor. Um amor exigente, desses que cutucam, provocam e educam.

Mas amar o Brasil exige coragem. É difícil amar um país que tantas vezes se esquece de si! Ariano via nisso uma missão: ensinar o brasileiro a se olhar com respeito, a entender que o sertão é tão filosófico quanto Atenas, que um repente vale tanto quanto um soneto inglês.

O perigo, segundo ele, era nos tornarmos colônia estética, dependentes do gosto alheio e estrangeiro. Quando isso acontece, o que se perde não é apenas arte, mas alma. Um povo que chama de “brega” o que lhe é próprio começa a perder o juízo da beleza.

Ariano Suassuna defendia a cultura nacional porque sabia que literatura sem raiz é planta de plástico. Parece viva, mas não respira. Ele queria uma arte que suasse, que risse, que rezasse e debochasse com a mesma boca! Uma arte que lembrasse o Brasil de quem ele é, antes que alguém de fora o dissesse.

Sua luta não era contra o estrangeiro, mas contra o complexo de vira-lata. Queria que o Brasil parasse de pedir desculpas por ser o que é. E isso, convenhamos, continua sendo uma heresia necessária! O Brasil tem uma grande alma. Só precisa acreditar nela.

 

Por Jeane Tertuliano

7ª edição março 2026

 

PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA

  1. Por que Ariano Suassuna dizia que o problema do Brasil era existencial, e não só estético?

Porque, para ele, o Brasil não se reconhece como nação. Sem esse reconhecimento, não há defesa da própria cultura. O vício de achar que “o de fora é melhor” é um sintoma de falta de identidade, não apenas de gosto.

 

  1. O que significa, na prática, “unir o erudito e o popular” como propunha o Movimento Armorial?

Significa valorizar tanto o violino quanto a rabeca, o romance quanto o cordel, o soneto quanto o repente. É reconhecer que a cultura brasileira é rica justamente por sua diversidade, e que não existe hierarquia entre saberes e expressões.

 

  1. Como o “complexo de vira-lata” afeta a produção artística e literária do país?

Ele faz com que muitos artistas sintam necessidade de imitar o estrangeiro para serem aceitos, desvalorizando o que é autêntico. Isso gera arte sem raiz, que parece bonita, mas não dialoga com a alma do povo.

 

  1. Por que Ariano defendia que “o universal nasce do autêntico”?

Porque só quando o artista mergulha em sua própria cultura, em suas raízes, consegue criar algo que ressoe universalmente. O que é genuíno, mesmo que regional, toca o humano em qualquer lugar do mundo.

 

  1. O que significa, para você, “amar o Brasil” no contexto do texto?

Significa respeitar e valorizar o que é nosso — do sertão à cidade, do cordel à filosofia, do repente ao soneto — sem pedir desculpas, sem pedir visto, sem ter vergonha de ser brasileiro.

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Ariano Suassuna – Dramaturgo, escritor e fundador do Movimento Armorial, referência na defesa da cultura nacional e do encontro entre erudito e popular.
  • Movimento Armorial – Proposta artística que une manifestações populares e eruditas da cultura brasileira, especialmente do Nordeste.
  • Literatura de Cordel – Expressão popular citada como exemplo de riqueza cultural autêntica.
  • Xilogravura – Técnica artística típica do cordel e do Armorial, símbolo da identidade visual do sertão.
  • Debates sobre identidade nacional – Discussões sobre o “complexo de vira-lata”, nacionalismo cultural e o papel da literatura na construção da identidade brasileira.

 

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