📚O JARDIM DE CONTOS DE FADAS DO VOLKSPARK FRIEDRICHSHAIN EM BERLIM.
Por Stella Gaspar
9ª Edição – Maio de 2026 – Jornal The Bard News
📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS
Gênero: Ensaio / Cultura & Turismo
Temas centrais: Contos de fadas, Berlim, Irmãos Grimm, Volkspark Friedrichshain, arquitetura, memória, infância, patrimônio
📰 RESUMO
No coração verde de Berlim, o Volkspark Friedrichshain guarda um tesouro: o Märchenbrunnen, ou Fonte dos Contos de Fadas. Este ensaio, de Stella Gaspar, explora como este conjunto arquitetônico e escultórico, projetado por Ludwig Hoffmann e inaugurado em 1905, se tornou um portal para o universo dos Irmãos Grimm, celebrando a infância e a imaginação em meio à história da cidade.
O texto detalha a estrutura principal da fonte, com suas cascatas e figuras de sapos, e as 106 esculturas de artistas como Ignatius Taschner, Georg Wrba e Josef Rauch, que dão vida a personagens de “João e Maria”, “Cinderela”, “Branca de Neve” e outros contos clássicos. Além de sua importância cultural como um dos maiores conjuntos escultóricos dedicados a contos de fadas no mundo, o ensaio destaca a resiliência do Märchenbrunnen, que sobreviveu a danos severos na Segunda Guerra Mundial e passou por diversas restaurações. O Jardim de Contos de Fadas é apresentado como um lugar onde história, arte e imaginação se encontram, oferecendo uma pausa no tempo e um convite à redescoberta da infância, lembrando que os contos de fadas são histórias universais que continuam vivas em nós.

O Jardim de Contos de Fadas do Volkspark Friedrichshain em Berlim.
Introdução
Conhecido em português como Fonte dos Contos de Fadas, é um dos monumentos mais emblemáticos de Berlim. Localizado no Volkspark Friedrichshain, é o parque público mais antigo da cidade, no conjunto arquitetônico e escultórico celebrando o universo dos contos tradicionais alemães, especialmente aqueles eternizados pelos Irmãos Grimm.
O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto Ludwig Hoffmann, que trabalhou nele entre 1901 e 1905. Hoffmann inspirou-se em teatros aquáticos italianos e buscou criar um espaço que unisse monumentalidade e fantasia, especialmente pensado para encantar crianças, adultos e famílias.

A estrutura principal tem uma grande fonte central medindo 34 × 54 metros, com cascatas, bacias d’água e figuras de sapos que jorram água, incluindo o famoso “Príncipe Sapo”. Uma mistura de fantasia e elegância clássica.
O conjunto inclui 106 esculturas criadas por artistas como Ignatius Taschner, Georg Wrba e Josef Rauch.
Entre os contos representados estão:
- João e Maria (Hansel und Gretel)
- O Gato de Botas
- Cinderela
- Chapeuzinho Vermelho
- Branca de Neve e os Sete Anões
- A Bela Adormecida
- Os Sete Corvos.
Além do Jardim de Contos de Fadas, o parque oferece:
- Lagos e áreas verdes
- Montanhas artificiais feitas de escombros da Segunda Guerra Mundial
- (Mont Klamott)
- Monumentos históricos
- Cinema ao ar livre no verão
- Cafés e áreas de lazer.
O Märchenbrunnen tem uma grande importância cultural, é mais do que um ponto turístico:
- Representa a valorização da tradição literária alemã.
- É um dos principais conjuntos escultóricos dedicados a contos de fadas no mundo.
- Sobreviveu a danos severos durante a “Segunda Guerra Mundial” e passou por diversas restaurações.
Hoje, é considerado um monumento arquitetônico federal e um dos lugares mais fotogênicos de Berlim. É um lugar onde história, arte e imaginação se encontram. Caminhar entre suas esculturas é como revisitar a infância, cercado por uma atmosfera mágica que encanta visitantes de todas as idades.
Um verdadeiro portal para o mundo dos contos de fadas. Um jardim de encantamentos acordados.
“William Shakespeare, talvez um dos principais mestres da literatura, escreveu que ‘há quem diga que todas as noites são de sonhos, dormindo ou acordados”.
No coração verde do Volkspark Friedrichshain, repousa o Jardim de Contos de Fadas, um lugar onde a infância se deita sobre a pedra e a água, e onde cada escultura respira histórias que nunca envelhecem. Onde o tempo parece caminhar devagar, como se tivesse receio de perturbar o sono dos sonhos antigos. Cada canto com encantos especiais. O ar muda. A luz muda. Até o silêncio muda, torna-se um silêncio cheio de vozes, como se cada folha carregasse um sussurro de Grimm, cada gota de água um eco de encantamento. Sentir algo assim é maravilhoso, tudo parece descomplicado. Cada figura é uma pausa no tempo, um instante cristalizado entre o abstrato, o imaginário, o real e o maravilhamento entre o acolhimento.
O parque Volkspark Friedrichshain é como um livro aberto, que envolve o jardim como um grande abraço verde. As árvores, altas e antigas, parecem cúmplices desse teatro de fantasia. É um portal, um lugar onde a infância nunca parte, esculturas, fontes… são atemporais, eles brincam no tempo e com o tempo, nascem e renascem a todo instante.
Considerações Finais.
Lembrando que, por mais que cresçamos, há sempre um canto em nós onde os contos de fadas continuam vivos, esperando somente um gesto, um olhar, um passo para despertarem. Os contos de fadas são histórias universais que permeiam há muito e muito tempo a vida do ser humano.
Afinal, pararmos para pensar, quantos “era uma vez” já não vivenciamos em nossos contos de vida?
Leia, a seguir, o conto apresentado.
A Menina que Ouvia as Estátuas.
Um conto nascido no Märchenbrunnen, Volkspark Friedrichshain.
Dizem que, ao cair da tarde, quando o sol se esconde atrás das copas antigas do Volkspark Friedrichshain, o Jardim de Contos de Fadas respira. Não, é algo que se vê — é algo que se sente, como um arrepio leve, como o instante antes de um segredo ser revelado.
Naquela tarde de início de verão, Elara, uma menina de olhos atentos e passos silenciosos, caminhava sozinha pelo parque. Ela vinha todos os dias, mas nunca pelo mesmo motivo. Às vezes, buscava silêncio. Outras vezes, buscava respostas. Naquele dia, porém, ela buscava algo que não sabia nomear.
Quando chegou ao Märchenbrunnen, o ar estava parado, como se o jardim inteiro prendesse a respiração. As esculturas — os sapos imóveis, os anões vigilantes, as princesas de pedra — pareciam observá-la. Elara sentiu um chamado, suave como o toque de uma pena. Aproximou-se da fonte central, onde a água refletia o céu como um espelho partido.
Foi então que ouviu.
Uma voz. Baixa. Rasgando o silêncio como um fio de luz.
— Você voltou.
Elara girou o corpo, mas não havia ninguém. Somente a estátua do Príncipe Sapo, imóvel em sua pose eterna.
— Aqui — disse a voz, agora mais clara.
A menina se aproximou. O sapo de pedra tinha os olhos fixos nela, mas algo neles parecia… vivo. Como brasas sob cinzas.
— Você consegue me ouvir, não consegue? — perguntou a voz, que parecia vir de todos os lados e de lugar nenhum.
Elara engoliu seco. — Consigo.
O jardim inteiro pareceu estremecer, como se tivesse esperado séculos por aquela resposta.
— Então escute bem, menina. Esta noite, quando a lua tocar a água da fonte, o feitiço se abrirá. E você será a única capaz de atravessar.
— Atravessar para onde? — perguntou Elara, sentindo o coração bater como asas.
O sapo não respondeu. Em vez disso, a água da fonte começou a brilhar — um brilho suave, prateado, como se a lua tivesse chegado antes da hora.
E então, pela primeira vez desde que fora esculpida, a estátua moveu a cabeça.
— Para o outro lado da história.
O vento soprou forte, levantando folhas, girando o ar, fazendo o jardim inteiro cantar. As esculturas pareciam despertar, uma a uma, como se estivessem se espreguiçando após um longo sono.
Elara deu um passo à frente. Depois, outro. A água brilhante chamava por ela.
E quando a ponta de seus dedos tocou a superfície, o mundo se abriu como um livro que finalmente encontra quem o leia.

Referências
ANDERSEN, Hans Christian. Contos de Fadas. São Paulo: Martin Claret, 2015.
DEUTSCHE WELLE. Berliner Parks und historische Brunnen. DW, 2024. Disponível em: https://www.dw.com. Acesso em: 7 abr. 2026.
❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA (COM RESPOSTAS)
- Como o projeto de Ludwig Hoffmann para o Märchenbrunnen uniu “monumentalidade e fantasia”?
Resposta: Ludwig Hoffmann inspirou-se em teatros aquáticos italianos para criar uma fonte central de grandes dimensões (34×54 metros) com cascatas e bacias d’água, conferindo monumentalidade ao conjunto. A fantasia é introduzida pelas 106 esculturas de personagens dos Irmãos Grimm, como o Príncipe Sapo e figuras de contos clássicos, que transformam o espaço em um portal para o universo infantil, encantando crianças e adultos. - Qual a importância cultural do Märchenbrunnen para Berlim e para a tradição literária alemã?
Resposta: O Märchenbrunnen é um dos monumentos mais emblemáticos de Berlim e um dos principais conjuntos escultóricos dedicados a contos de fadas no mundo. Ele representa a valorização da tradição literária alemã, especialmente a obra dos Irmãos Grimm, e serve como um ponto de encontro onde história, arte e imaginação se unem, preservando e celebrando a memória da infância e da cultura popular. - De que forma o ensaio descreve a experiência de visitar o Jardim de Contos de Fadas como uma “pausa no tempo” e um “jardim de encantamentos acordados”?
Resposta: O texto descreve o jardim como um lugar onde o tempo parece caminhar devagar, e cada escultura respira histórias que nunca envelhecem. A atmosfera mágica, o silêncio cheio de vozes e o ar que muda criam uma sensação de encantamento. É uma pausa no tempo porque permite revisitar a infância e o maravilhamento, oferecendo um acolhimento que faz tudo parecer descomplicado e atemporal. - Como a história da menina Elara, no conto “A Menina que Ouvia as Estátuas”, complementa a ideia de que o Märchenbrunnen é um “portal para o mundo dos contos de fadas”?
Resposta: O conto de Elara ilustra de forma poética a ideia do Märchenbrunnen como um portal. A menina, com sua sensibilidade aguçada, consegue ouvir a voz do Príncipe Sapo, que a convida a “atravessar para o outro lado da história”. Esse momento mágico, onde a água da fonte brilha e as estátuas parecem despertar, concretiza a metáfora do jardim como um lugar onde a imaginação e a realidade se fundem, e onde os contos de fadas ganham vida para quem está disposto a ouvi-los. - O que as “Considerações Finais” do ensaio sugerem sobre a relevância dos contos de fadas na vida adulta?
Resposta: As “Considerações Finais” sugerem que, mesmo na vida adulta, há um “canto em nós onde os contos de fadas continuam vivos”. Eles são histórias universais que permeiam a vida humana e esperam apenas um gesto, um olhar ou um passo para despertarem. A pergunta “quantos ‘era uma vez’ já não vivenciamos em nossos contos de vida?” convida o leitor a refletir sobre como as narrativas de contos de fadas se manifestam em suas próprias experiências, reafirmando a relevância contínua dessas histórias na formação da identidade e na compreensão do mundo.
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