As Coleções de Obras Asiáticas em Paris

🏛️ As Coleções de Obras Asiáticas em Paris

🎨 Como a França Concentrou 60 Mil Tesouros Asiáticos Longe de Casa

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO

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📰 RESUMO EXECUTIVO

Paris abriga a maior coleção de arte asiática da Europa com mais de 60 mil objetos nos museus Guimet e Cernuschi, formada através de coleções particulares de industriais franceses do século XIX e apropriação colonial de artefatos históricos durante expedições militares, saques e pilhagens na Indochina Francesa e China, levantando debates contemporâneos sobre repatriação cultural.

Ao visitar Paris, além das obras do famoso museu do Louvre, se pode encontrar a coleção mais abrangente de arte asiática do mundo, além de ser a maior da Europa, com aproximadamente mais de 60 mil objetos, nas instalações do Museu Guimet, localizado na Place d’Iéna.

A constituição de tal acervo se deu, primeiramente, pela coleção particular de Emile Guimet – que dá nome ao museu –, empresário da produção industrial do azul marino artificial, no século XIX. Depois, expandiu para abraçar a coleção de porcelana chinesa de Ernest Grandidier, outro industrial provindo de uma família rica, que lhe permitiu realizar viagens pelas Américas do Norte e Sul e, posteriormente, Ásia. Outro espaço que chama a atenção é o museu Cernuschi, localizado na antiga mansão do banqueiro italiano Henri Cernuschi, com cerca de 13 mil peças.

Todas as coleções mencionadas, antes particulares, se compõem de objetos provindos do Japão, da China, da Coreia (ainda unificada), do Vietnã, Himalaias, Camboja, Tailândia e Indonésia. A maioria dos artefatos foi trazida para a França na segunda metade o século XIX, após a abertura dos portos chineses e dos outros países asiáticos para do Ocidente – alguns já sendo colônias da França e Inglaterra, como Camboja, Vietnã e Laos.

Esta região foi conhecida durante o período colonial (1887-1954) como Indochina Francesa, e além da exploração de matérias-primas da região, a França também se apropriou de artefatos históricos locais, durante saques e pilhagens de tropas coloniais nos territórios.

E, especificamente no caso da China, o enfraquecimento econômico causado após as Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), em que o país asiático enfrentou Inglaterra e França, facilitou a compra e remoção de artefatos históricos e arqueológicos pelas potências ocidentais do território chinês, por meio de expedições militares e diplomáticas realizadas por países europeus, inclusive a França.

Em exemplo extremo, temos o Saque do Palácio de Verão, em 1860, onde o complexo palaciano imperial chinês foi invadido por tropas inglesas e francesas, em retaliação pela captura de negociantes britânicos. O ocorrido resultou em roubo e perda de relíquias culturais e obras de arte importantes, que foram levadas para a Europa e exibidas pela França como espólio na época. O autor Victor Hugo condenou o ocorrido, comparando como a destruição e desaparecimento de um modelo de sonho.

Como os artefatos históricos foram adquiridos por magnatas de seu século não está contado nas placas de identificação de cada peça ou na história dos museus em seus portais online. Entretanto, ao adentrarmos nestes espaços, tão repletos de obras, cerâmicas, têxteis, estátuas e joias, temos tanto um sentimento de admiração pela riqueza histórica, quanto um mal-estar em pensar o porquê destas obras estarem tão longe de casa – algumas porcelanas chinesas nem a China possui mais, mas estão em museus europeus. É um dilema aos visitantes.

Por este motivo, constantemente se abre o debate sobre a devolução de peças arqueológicas por países europeus, inclusive a França, para o acervo nacional dos locais originais, com fala do atual presidente Emmanuel Macron. No caso das artes asiáticas, o país europeu se volta para a devolução de artefatos para o Museu Nacional do Camboja. E também há uma promessa de investimento milionário para rastrear a procedência de objetos do período colonial.

Como Victor Hugo esperamos o dia em que a França devolva essa pilhagem aos seus donos de verdade, para que a história e cultura asiáticas possam ser contadas e revividas em seus próprios museus, e não tão longe de casa.

 

PRINCIPAIS PONTOS (5 TÓPICOS)

  1. Maior Coleção Asiática da Europa em Paris

Paris abriga mais de 60 mil objetos asiáticos nos museus Guimet e Cernuschi, formando a coleção mais abrangente de arte asiática do mundo, com peças do Japão, China, Coreia, Vietnã, Himalaias, Camboja, Tailândia e Indonésia.

  1. Origem Colonial das Coleções

As coleções foram formadas por industriais franceses do século XIX (Emile Guimet, Ernest Grandidier, Henri Cernuschi) e expandidas através de apropriação colonial durante o período da Indochina Francesa (1887-1954) via saques e pilhagens militares.

  1. Saque do Palácio de Verão (1860)

O exemplo mais extremo foi a invasão do complexo imperial chinês por tropas inglesas e francesas, resultando em roubo massivo de relíquias culturais levadas para Europa, evento condenado por Victor Hugo como destruição de um “modelo de sonho”.

  1. Dilema Ético dos Visitantes

Museus não informam nas placas como artefatos foram adquiridos, criando conflito entre admiração pela riqueza histórica e mal-estar ético, especialmente considerando que algumas porcelanas chinesas nem existem mais na China, apenas em museus europeus.

  1. Movimento Contemporâneo de Repatriação

Emmanuel Macron iniciou debates sobre devolução de peças arqueológicas, com foco inicial no Museu Nacional do Camboja e promessa de investimento milionário para rastrear procedência de objetos do período colonial.

 

FAQ COMPLETO (5 PERGUNTAS)

  1. Por que Paris possui a maior coleção de arte asiática da Europa?

Paris concentra mais de 60 mil objetos asiáticos devido à combinação de coleções particulares de industriais franceses ricos do século XIX (Emile Guimet, Ernest Grandidier, Henri Cernuschi) e apropriação sistemática durante o período colonial. A França explorou não apenas matérias-primas da Indochina Francesa (1887-1954), mas também se apropriou de artefatos históricos através de expedições militares, saques e pilhagens nos territórios colonizados.

  1. Como as Guerras do Ópio facilitaram a remoção de artefatos chineses?

As Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860) enfraqueceram economicamente a China, facilitando a compra e remoção de artefatos históricos pelas potências ocidentais. O exemplo mais extremo foi o Saque do Palácio de Verão em 1860, quando tropas inglesas e francesas invadiram o complexo imperial chinês, roubando relíquias culturais que foram levadas para Europa e exibidas como espólio de guerra.

  1. Por que os museus não informam como adquiriram os artefatos?

As placas de identificação e portais online dos museus omitem informações sobre como os artefatos históricos foram adquiridos pelos magnatas do século XIX. Esta omissão cria um dilema ético para visitantes, que experimentam tanto admiração pela riqueza histórica quanto mal-estar ao perceber que obras estão “longe de casa”, algumas sendo únicas e não existindo mais nem nos países de origem.

  1. Quais são os esforços atuais de repatriação cultural?

Emmanuel Macron iniciou debates sobre devolução de peças arqueológicas, com foco inicial na devolução de artefatos para o Museu Nacional do Camboja. A França prometeu investimento milionário para rastrear a procedência de objetos do período colonial, sinalizando mudança na política cultural em direção à justiça histórica e reconhecimento da apropriação colonial.

  1. Qual a importância da repatriação para os países asiáticos?

A repatriação permitiria que história e cultura asiáticas sejam contadas e revividas em seus próprios museus, não “longe de casa”. Muitos artefatos únicos, como certas porcelanas chinesas, existem apenas em museus europeus, privando os países de origem de seu próprio patrimônio cultural. A devolução representaria justiça histórica e reconhecimento dos danos causados pela apropriação colonial.

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Museu Guimet – Coleção de arte asiática em Paris
  • Museu Cernuschi – Coleção particular de Henri Cernuschi
  • História da Indochina Francesa – Período colonial (1887-1954)
  • Guerras do Ópio – Conflitos sino-europeus (1839-1860)
  • Saque do Palácio de Verão (1860) – Apropriação cultural colonial
  • Victor Hugo – Críticas ao colonialismo cultural
  • Emmanuel Macron – Políticas de repatriação cultural
  • Museu Nacional do Camboja – Esforços de devolução
  • Emile Guimet, Ernest Grandidier – Colecionadores industriais
  • Patrimônio Cultural Asiático – Questões de repatriação

 

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