Mariana Pacheco, Autor em The Bard News https://thebardnews.com/author/mariana-pacheco/ Seu Jornal Multiartístico, Multiliterário e Multicultural Sun, 10 May 2026 17:24:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://thebardnews.com/wp-content/uploads/2026/01/cropped-1-32x32.png Mariana Pacheco, Autor em The Bard News https://thebardnews.com/author/mariana-pacheco/ 32 32 Revolução Francesa: Um Marco de Liberdade ou o Início da Ruptura com a Tradição? https://thebardnews.com/revolucao-francesa-um-marco-de-liberdade-ou-o-inicio-da-ruptura-com-a-tradicao/ https://thebardnews.com/revolucao-francesa-um-marco-de-liberdade-ou-o-inicio-da-ruptura-com-a-tradicao/#respond Sun, 10 May 2026 14:47:25 +0000 https://thebardnews.com/?p=5676 📚Revolução Francesa: Um Marco de Liberdade ou o Início da Ruptura com a Tradição? Por Mariana Pacheco Jornal The Bard News – 9ª Edição – […]

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📚Revolução Francesa: Um Marco de Liberdade ou o Início da Ruptura com a Tradição?

Por Mariana Pacheco
Jornal The Bard News – 9ª Edição – Maio de 2026

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS

Gênero: Ensaio / História & Cultura
Temas centrais: Revolução Francesa, liberdade, igualdade, fraternidade, tradição, identidade nacional, memória, Paris

 

📰 RESUMO

Quem caminha hoje por Paris encontra, para além da Torre Eiffel e da Champs-Élysées, uma cidade atravessada por marcas de 1789: resquícios da Bastilha, grafites que evocam a Comuna de 1871, inscrições de “République française ou la mort”. Em “Revolução Francesa: Um Marco de Liberdade ou o Início da Ruptura com a Tradição?”, Mariana Pacheco revisita o processo revolucionário não só como ruptura com o absolutismo, mas como início de uma longa tensão entre ideais e identidade.

O texto apresenta a ambivalência da Revolução heroica Marianne guiando o povo ou Madame Guilhotina sanguinária e discute motivações que vão muito além do preço do pão: o peso de Versalhes, a saturação com a corte parasitária, a ascensão burguesa sem reconhecimento. A autora percorre a queda da Bastilha, a Convenção, os clubes jacobinos e girondinos, a perseguição a opositores (incluindo mulheres), e mostra como o “cavalo selvagem” da revolta segue galopando em 1830, 1848 e 1968. No fim, questiona se a França, ao vestir-se de “Liberté, Égalité, Fraternité”, não se afastou de uma identidade mais profunda, deixando a Marselhesa soando oca em meio a rituais e espetáculos que já não encontram a mesma essência.

 

Revolução Francesa: Um Marco de Liberdade ou o Início da Ruptura com a Tradição?

Quem caminha pelas ruas de Paris, além da torre Eiffel e Champs Élysées, se atentar o olhar, encontrará uma cidade que resguarda seu passado revolucionário, sustentando até a atualidade o lema de “Liberté, Égalité et Fraternité”. As marcas de 1789 se mantêm desde os resquícios da Bastilha, na praça Henry Galli, até um grafite “République française ou la mort” na Igreja Saint-Paul-Saint-Louis, no Marais, escrito na época da Comuna de Paris (1871). A Revolução Francesa não se sustenta apenas no cerne social e histórico da França, mas também é lembrança turística.

Entretanto, como marco histórico considerável para o rumo da sociedade após ele, a Revolução Francesa é questionável em muitos âmbitos – há como vê-la trajada de Marianne, heroica e guiando o povo para mudanças significativas, ou como a madame Guilhotina, sem piedade e sanguinária. A reflexão é necessária não apenas para entender o processo que a França passou de 1789 a 1804 (quando Napoleão começa uma nova era), mas também o comportamento de um povo na atualidade.

Não se pode negar as motivações que levariam o povo francês a apoiar as requisições da burguesia durante a Assembleia dos Estados Gerais: desde Luís XIV e a construção de Versalhes, havia uma saturação diante de impostos absurdos e o sustento de uma classe social sem produção efetiva: durante o reinado do Rei Sol, estima-se que viviam de 3 mil nobres, aumentando para 10 mil até 1789. O palácio ainda gera renda significativa atualmente com os visitantes, mas sua construção às custas da população, também no sentido econômico quanto braçal, assombra os jardins e paredes de ouro. E podemos, sim, pensar que a primeira gota d’água foi aqui.

E o oceano de inconformidades se expandiu pelos reinados dos Luíses XV e XVI. Guerras, aumento do palácio e das bocas para alimentar, mais impostos e preços abusivos enquanto a jovem rainha Maria Antonieta encenava seu Carpe Diem na vila camponesa construída no final dos jardins. Alguns diriam, simplesmente, que a motivação da revolução foi o preço do pão, o alimento básico. Porém, é mais complexo: sim, a necessidade do povo na classe mais baixa é um belo discurso, mas a classe que crescia financeiramente sem reconhecimento e maiores cobranças é mais palpável.

O discurso de Liberdade é pintado quando a Bastilha – prisão de simbolismo absolutista – cai em 14 de julho de 1789 (data festiva até hoje), mas, na prática, a história pode recontar a filosofia de forma mais concreta: a anarquia precisou ser substituída por um novo governo. Então, que subam à tribuna os representantes do povo. Surge os Jacobinos, à esquerda, e os Girondinos, à direita. Eles decidiram a morte do rei e da rainha, também a vida do príncipe e da princesa. Se tornaram a voz da república, dignos de mediarem em seu nome, como a estátua no Panthéon, em lembrança da Convenção National, remete.

Se rompe com a tradição monarquista, se inicia a perseguição pelas coroas europeias, se condena opositores – entre eles, antigos apoiadores, mulheres que pediam também os Direitos da Mulher e da Cidadã, quando apenas homens falavam na tribuna. Os nomes das meninas de uma nova geração não rementem mais a Maria, mas aos ideais e às espadas, como o filme “Le Peuple et son Roi” demonstra bem. Um cavalo selvagem é liberto, mas o preço e visto também nos nomes escritos em vermelho nas paredes de Conciergerie, antiga prisão do período.

Os caminhos desta revolução não pararam com Napoleão, continuaram em 1830, pelos estudantes e 1848, pelo fim da Luís XVIII, se estenderam em 1964, na Primavera Francesa contra Charles De Gaulle. No fim, a revolta faz parte do sangue francês – franco, o povo originário da região, era visto como implacáveis e temíveis pelos demais germânicos. O preço foram cinco repúblicas e instabilidade política até os dias de hoje. Se aceita qualquer uma em pró da Fraternidade, e se marginaliza a identidade nacional; se iguala direitos constitucionais, mas não o tratamento social; a liberdade seria apenas um anseio? Sim, e que ainda permeia a França atual, em aberturas olímpicas escandalosas, mas que refletem o vazio da essência perdida a cada século após 1789.

A questão não se trata da liberdade conquistada na Revolução Francesa, mas do esquecimento da identidade francesa com os anos para sustentar ideais imaginados em meio a problemas atuais, e valores perdidos no anseio do desejo. E, de repente, a Marselhesa não faz mais sentido nos desfiles de 14 Juillet.

 

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA (COM RESPOSTAS)

  1. Por que o ensaio apresenta a Revolução Francesa como algo ambivalente, entre Marianne e “madame Guilhotina”?
    Resposta: Porque a Revolução pode ser vista tanto como marco heroico de ruptura com o absolutismo e afirmação de novos ideais (Marianne guiando o povo), quanto como processo violento, sanguinário e perseguidor (madame Guilhotina). O texto insiste nessa ambivalência para mostrar que os mesmos eventos que fundam o lema “Liberté, Égalité, Fraternité” também inauguram uma lógica de radicalização, purgas internas e execuções em massa, o que torna a herança revolucionária complexa e problemática.
  2. Como Versalhes é usado no texto para explicar as tensões que levaram à Revolução?
    Resposta: Versalhes aparece como símbolo máximo da opulência construída às custas do povo: muitos nobres sustentados sem produção efetiva, expansão do palácio, guerras e impostos abusivos. Embora o palácio hoje gere renda turística, o ensaio lembra que sua construção foi um “trauma” para a sociedade francesa, apontando para uma longa saturação com a corte que antecede 1789 e ajuda a explicar o apoio popular às demandas da burguesia.
  3. Qual crítica o texto sugere em relação à narrativa simplificada de que a Revolução se deu “pelo preço do pão”?
    Resposta: O ensaio reconhece a importância do preço do pão e da fome popular, mas considera essa explicação insuficiente. Ele enfatiza que a classe que mais crescia em poder econômico — a burguesia — também buscava reconhecimento e participação política, e que suas demandas estruturadas na Assembleia dos Estados Gerais foram centrais. Assim, a revolução é apresentada como resultado tanto da miséria material das camadas baixas quanto das frustrações políticas e simbólicas da burguesia.
  4. De que maneira o texto relaciona a Revolução Francesa com a identidade francesa contemporânea?
    Resposta: O ensaio mostra que o espírito de revolta se prolonga em 1830, 1848, 1968 e até hoje, e que a França segue se vendo como país de “Liberté, Égalité, Fraternité”. Mas, ao mesmo tempo, aponta um possível esvaziamento desses ideais: aceita-se qualquer república em nome da fraternidade, marginaliza-se uma identidade nacional mais profunda, igualam-se direitos formais sem garantir igualdade de tratamento. A Marselhesa nos desfiles de 14 de julho aparece como ritual que “já não faz tanto sentido”, sugerindo um descompasso entre símbolo e realidade.
  5. O que significa, no texto, dizer que o problema não é a liberdade conquistada, mas “o esquecimento da identidade francesa com os anos”?
    Resposta: Significa que a autora não questiona a importância da ruptura com o absolutismo ou das conquistas de direitos, mas aponta que, ao longo dos séculos, a busca por ideais abstratos e disputas políticas sucessivas teria diluído um senso mais concreto de identidade cultural. A França, ao sustentar lemas e imagens revolucionárias, corre o risco de sacrificar elementos da própria tradição e história em nome de versões sucessivas de modernidade, tornando a liberdade um “anseio” muitas vezes desconectado de uma base comum de valores e memória.

 

🏷 HASHTAGS SUGERIDAS

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Trese: Caçadora de Demônios para adultos https://thebardnews.com/trese-cacadora-de-demonios-para-adultos/ Wed, 08 Apr 2026 21:15:35 +0000 https://thebardnews.com/?p=5388 📚 Trese – Caçadora de Demônios para adultos 📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO ⏱️ Tempo de leitura: 6–9 minutos 📝 Gênero: Crítica / ensaio sobre […]

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📚 Trese – Caçadora de Demônios para adultos

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱ Tempo de leitura: 6–9 minutos
📝 Gênero: Crítica / ensaio sobre HQ, animação e folclore filipino

📰 RESUMO
O texto apresenta “Trese” como uma porta de entrada adulta para o folclore e a sociedade filipina, em contraste com o sucesso mais pop de “K-Pop Demon Hunters”. Antes do fenômeno de 2026, a série animada “Trese” (2021), adaptada das HQs de Budjette Tan e Kajo Baldissimo, já oferecia uma protetora da humanidade e mediadora entre o mundo humano e o sobrenatural em Manila. A autora destaca o peso da cultura de quadrinhos nas Filipinas e como essa linguagem torna mais acessível uma realidade pouco discutida na literatura asiática: um país que transita entre mitos ancestrais, colonização espanhola, conservadorismo religioso e identidades guerreiras e xamânicas.

Alexandra Trese, sexta filha do sexto filho guerreiro com uma xamã, atua como Lakan — guardiã racional, de preto, de cabelo curto — chamada pela polícia sempre que crimes fogem da lógica comum. Os casos envolvem aswang (metamorfos vampíricos e necrófagos), tiyanak (fetos/ bebês abandonados que retornam em busca do ventre materno), mortos vivos em busca de justiça contra a violência policial, sempre apoiada pelos gêmeos semideuses Kambal, filhos do deus da guerra Talagbusao. O terror, porém, não está só nas criaturas, mas no desequilíbrio causado pelos humanos ao violarem regras básicas de respeito, solidariedade e boas maneiras, que no submundo cobram um preço extremo.

Mariana Pacheco argumenta que, enquanto “K-Pop Demon Hunters” conquista públicos de todas as idades com música e carisma, “Trese” é um material assumidamente adulto: mergulha em sangue, injustiça, corrupção e na camada fina entre crença e realidade. Para enfrentar o que habita esse entre-lugar, não basta cantar: é preciso conhecimento antigo, coragem, frieza e um bom punhal.

 

Trese: Caçadora de Demônios para adultos

Antes do filme sul-coreano “K-Pop Demon Hunters” conquistar as premiações estadunidenses, como o Globo de Ouro e Annie Awards, neste ano de 2026, se tornando a animação de maior sucesso da plataforma de streaming Netflix e uma representação do folclore asiático para o mundo ocidental, em 2021 a série “Trese” já havia trazido uma protetora para a humanidade e um elo de equilíbrio entre o sobrenatural.

A série animada é a adaptação das Histórias em Quadrinhos homônimas filipinas escritas por Budjette Tan e Kajo Baldismo. É válido dizer que as Filipinas é um país que ama HQs, e tem ais quadrinistas ilustres e talentosos do que autores clássicos de outros gêneros literários. Isso não reduz o valor da obra, pelo contrário: a linguagem das Histórias em Quadrinhos acessibiliza uma cultura e sociedade pouco discutida dentro da literatura e dos estudos asiáticos, ainda que de forma desafiadora para tradução em países ocidentais.

No Brasil, por exemplo, “Trese” é publicado em seu formado de História em Quadrinhos apenas em 2025, pela editora Mori, voltada para títulos associados ao Terror e ao Suspense – adequado, aliás. É provável que os brasileiros mais leigos se conectem com a narrativa através da série animada previamente produzida pela Netflix. Entretanto, a narrativa de Tan e Baldismo é um prato cheio para conhecer Manila e também mergulhar em traços únicos e personagens que conversam com uma cultura e sociedade que ainda transita entre o folclore tradicional, a colonização espanhola, o conservadorismo religioso e a própria identidade entre guerreiros e xamãs.

Tanto nos quadrinhos quanto na série animada, “Trese” carrega uma aura mais sombria, quando a noite cai sobre as ruas de Manila (capital das Filipinas) e os perigos vão além de sequestradores e ladrões, se estendendo para criaturas do folclore místico das Filipinas, que espreitam nas sombras e nas camadas sociais. Casos de assassinatos, quando se mostram pouco convencionais, obrigam o sargento da polícia a chamar Alexandra Trese, a sexta filha do sexto filho mandirigma (guerreiro) com uma balaylan (xamã), assumindo ambas as funções e conhecimentos dos pais.

Alexandra Trese, diferentemente das personagens guerreiras do K-Pop, se veste de negro, tem cabelos curtos e é extremamente racional para cumprir sua função como protetora da humanidade – a Lakan. E seus casos, muitas vezes, não envolvem monstros bonitos, mas metamorfos vampírcos e necrófagos (aswang) envolvidos em tráfico de almas e carne humana; bebês abortados e abandonados que ressurgem em busca do ventre maternos (tiyanak), e mortos vivos convocados em busca da justiça de assassinatos causados pela polícia local, sem um julgamento.

A história traz figuras folclóricas, mas influentes em situações reais da sociedade filipina. E, por isso, a narrativa ganha o tom mais impactante e obscuro: o terror não está apenas nas figuras folclóricas e nas cenas de sangue, bem como as batalhas de Alexandra Trese junto com os Kambal – dois gêmeos semideuses filhos de Talagbusao (deus da Guerra), que se tornam seus guarda-costas particulares, mas em como a humanidade desequilibra a relação entre o sobrenatural por violarmos as regras.

No volume 2, Alexandra Trese explica ao sargento que as regras do submundo são simples: aquelas velhas regras sobre boas maneiras, mostrar respeito e ajudar o próximo. Só que as consequências de desobedecer às lições são mais extremas, porque o submundo não perdoa como o mundo humano. E é isso que nos assusta.

As Guerreiras do K-Pop conquistaram fãs de todas as idades, de crianças aos adultos, por trazer músicas cativantes, personagens únicas e boa estratégia de comunicação. Mas “Trese” é para um público adulto que não tenha medo de ler ou assistir a noite, ou mesmo de entender que existem coisas que não sabemos explicar ou lidar em nosso mundo e na fina camada de crença. E para enfrenta-los, saber cantar não é suficiente, é preciso se armar de conhecimento antigo, coragem, frieza e um bom punhal.

POR Mariana Pacheco

 

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA / CLUBE DE SÉRIES

  1. Você se percebe mais atraído pelos universos folclóricos em versões “leves” (como K-pop Demon Hunters) ou pelo tipo de abordagem sombria e adulta de Trese? Por quê?
  2. Em Trese, o que te parece mais assustador: as criaturas (aswang, tiyanak, mortos-vivos) ou o modo como a corrupção e a violência humanas quebram as “regras simples” do submundo?

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • HQs Trese, de Budjette Tan e Kajo Baldissimo.
  • Série animada Trese (Netflix) e materiais de bastidores sobre adaptação de folclore filipino.
  • Filmes e animações asiáticas recentes que exploram mitologias locais, como “K-Pop Demon Hunters”.
  • Estudos introdutórios sobre folclore filipino (aswang, tiyanak, Talagbusao e outras entidades).

🏷 HASHTAGS SUGERIDAS

thebardnews #jornalthebardnews #Trese #HQfilipina #animação #terror #folclorefilipino #MarianaPacheco #Netflix

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Lendas Arthurianas e a relação religiosa da Bretanha https://thebardnews.com/lendas-arthurianas-e-a-relacao-religiosa-da-bretanha/ Sun, 08 Mar 2026 21:10:06 +0000 https://thebardnews.com/?p=5001 📚 Lendas Arthurianas e a relação religiosa da Bretanha “Entre Avalon e Glastonbury, o rei que empunha a espada também precisa escolher em que fé […]

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📚 Lendas Arthurianas e a relação religiosa da Bretanha
“Entre Avalon e Glastonbury, o rei que empunha a espada também precisa escolher em que fé repousa o coração.”

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱ Tempo de leitura: 8–11 minutos
📝 Gênero: Ensaio literário / cultural sobre mito, religião e identidade britânica

 

📰 RESUMO
O texto de Mariana Pacheco explora como as lendas do Rei Arthur, para além das espadas, cavaleiros e castelos, funcionam como um espelho das disputas religiosas da Bretanha ao longo dos séculos. A partir de versões clássicas (Malory, Pyle) e releituras modernas (Marion Zimmer Bradley e Bernard Cornwell), o ensaio mostra como Arthur, Merlin, Morgana, Guinevere e Lancelot são reposicionados entre paganismo celta/druida e cristianismo em consolidação, simbolizados por Avalon e pela Abadia de Glastonbury. A autora destaca que o ciclo arthuriano acompanha e dramatiza a transição da antiga religião para o cristianismo, construindo uma narrativa de identidade que ainda dialoga com um país plural em crenças (católicos, anglicanos, protestantes, religiões orientais e ateísmo). No fim, Arthur aparece como figura central de um povo cuja fé e pertencimento continuam em disputa.

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Ainda hoje, as narrativas do Rei Arthur permeiam o folclore, a história medieval e o interesse turístico da Grã-Bretanha, onde um rei digno da espada governa o país entre fatos históricos e buscas mágicas. Diferentes adaptações foram feitas, tanto no meio literário, para registrar ou reescrever as aventuras dos cavaleiros da távola redonda, quanto para o cinema e teatro.

A versão mais aceita, considerada a base das lendas arthurianas, foi a escrita por Sir Thomas Malory, “Le Morte D’Arthur”, do século XV; mas a versão “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, de Howard Pyle (1903), também foi deveras disseminada, além de contar com as xilogravuras do autor para ilustrar desde a ascensão do rei, seu casamento com Guinevere e a busca do Graal. No Brasil, a editora Zahar publicou a versão de Pyle.

Outros autores também ousaram, com sucesso, aproximar a história de Artur da realidade. Marion Zimmer Bradley deu voz às mulheres de Camelot e Avalon em sua obra “As Brumas de Avalon” (1979), onde a mágica se torna parte dos ritos ancestrais dos druidas da Bretanha, e as sacerdotisas são figuras de destaque no movimento do destino. Já Bernard Cornwell, renomado autor de romances históricos e marcado por cenas de batalhas épicas em seus livros, em “As Crônicas de Arthur” (1995), dá ao rei Arthur cenas mais próximas da linha do tempo, quando os romanos deixam a ilha inglesa, e os clãs precisam de um novo líder.

Os personagens – Arthur, Morgana, Guinevere e Lancelot, principalmente – ganham nuances próprias em cada nova adaptação: por exemplo, se Marion Zimmer Bradley coloca Guinevere como uma cristã devota, Cornwell a posiciona como adoradora de diferentes divindades, inclusive Isis; já Morgana é a peça chave de Avalon para Bradley, como sacerdotisa e parte do povo das fadas, mas Cornwell sela o destino da meia-irmã de Arthur em um convento. E o rei Arthur, apesar de seu destino permanecer o mesmo em sua essência, sua personalidade alterna entre grande rei e ingênuo apaixonado.

Porém, entre releituras e reinterpretações, tanto nas páginas quanto nas telas, uma discussão constante que permeia as lendas arthurianas se trata de como Arthur precisou lidar com a questão religiosa de seu reino. De um lado, representado por Merlin e Morgana, a antiga religião, isso é, o paganismo dos celtas e dos druidas, busca a fidelidade de um rei provindo de um clã antigo. Do outro, enraizado pelos resquícios da Abadia de Glastonbury e a busca pelo Santo Graal, o cristianismo que conquista o povo e o coração de cavaleiros do rei. E Arthur sempre precisava escolher uma posição.

Mais do que Excalibur e Camelot, o ciclo arthuriano dentro da literatura gira em torno de temas cristãos e o embate com os chamados pagãos – uma evidência mínima é que a Abadia de Glastonbury e Avalon, nas histórias e na crença popular, dividram um mesmo espaço físico, em Ynys Afallach – e que as brumas escondiam um do outro, para Marion Zimmer. Ambas as religiões estão intrinsicamente ligadas em disputa e ao rei central destas lendas. Arthur confia em Merlin e conquista Excalibur da Dama do Lago, em seu lado místico, porém, depois envia seus cavaleiros em uma jornada santa pelo Graal, em remissão e conversão de sua alma e de seu reino. E o túmulo de Arthur, crê-se, ter sido a Abadia, mas nas lendas, seu corpo foi levado à Avalon, onde espera, adormecido, ser desperto quando a Bretanha precisar.

É possível pensar que, entre lendas e fatos históricos, bem aqueles passíveis de questionamento, as lendas arthurianas também estabelecem diálogo para a narrativa de como o cristianismo se estabelece na Grã-Bretanha e os celtas e a religião antiga perdem seu espaço de crença. As lendas se constroem por mitos, que se conectam com a realidade por elementos que os legitimam e criam vínculos emotivos com seus espectadores.

Rei Arthur é a identidade da Grã-Bretanha, mas mantêm o questionamento da Fé dos bretões, e a legitimação de crenças: dos celtas aos católicos, então aos anglicanos e protestantes, e aquelas vindas do Oriente (islamismo e o hinduísmo), bem como o ateísmo. Se as lendas arthurianas ainda criam identificação com os ingleses, é porque o coração de um rei em dúvida com sua fé ainda representa seu povo, mesmo hoje.

Por Mariana Pacheco 7ª edição março 2026

 

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA

  1. Em qual versão de Arthur você mais se reconhece: o rei político, o herói místico ou o homem em dúvida de fé?

– A forma como você responde revela que dimensão das lendas arthurianas mais dialoga com sua própria visão de liderança, espiritualidade e identidade.

  1. O que te parece mais forte nas lendas: o conflito entre cristianismo e paganismo ou os dramas pessoais de Arthur, Guinevere, Lancelot e Morgana?

– A pergunta ajuda a perceber como questões teológicas e afetivas se entrelaçam, fazendo da religião também um campo de relações humanas.

  1. Você enxerga paralelos entre a transição religiosa na Bretanha (dos deuses celtas ao cristianismo) e mudanças de fé ou de visão de mundo na sociedade atual?

– Pense em como novas crenças, secularização ou espiritualidades alternativas disputam espaço com tradições estabelecidas hoje.

  1. O que a coexistência de Glastonbury e Avalon como “o mesmo lugar” sugere sobre a relação entre mito, geografia e fé?

– Essa sobreposição indica que imaginário religioso e espaço físico se alimentam mutuamente, criando camadas de significado sobre o território.

  1. Por que você acha que, tantos séculos depois, o Rei Arthur ainda é símbolo de identidade para a Grã-Bretanha?

– A resposta pode explorar a ideia de um líder que nunca está totalmente resolvido em sua fé, refletindo um povo plural, em permanente negociação espiritual e cultural.

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Sir Thomas Malory – Le Morte d’Arthur (século XV), base canônica das lendas arthurianas.
  • Howard Pyle – Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda (1903), com xilogravuras; edição brasileira pela Zahar.
  • Marion Zimmer Bradley – As Brumas de Avalon (1979), releitura centrada nas mulheres e na antiga religião.
  • Bernard Cornwell – As Crônicas de Arthur (The Warlord Chronicles), abordagem histórica da Bretanha pós-romana.
  • Estudos sobre Glastonbury e Avalon – Relações entre lenda, arqueologia, cristianismo e tradição celta.

 

🏷 HASHTAGS SUGERIDAS

thebardnews #jornalthebardnews #ReiArthur #lendasarthurianas #Avalon #Glastonbury #mitologiaCelta #cristianismo #identidadebritânica #literaturafantástica

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“Michael” (2026) e o Rei do Pop na era da hiperconexão https://thebardnews.com/michael-2026-e-o-rei-do-pop-na-era-da-hiperconexao/ Thu, 19 Feb 2026 00:03:44 +0000 https://thebardnews.com/?p=4712 📰 “Michael” (2026) e o Rei do Pop na era da hiperconexão 🎯 Como o Legado de Michael Jackson Navega Entre Gerações no Mundo Digital […]

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📰 “Michael” (2026) e o Rei do Pop na era da hiperconexão

🎯 Como o Legado de Michael Jackson Navega Entre Gerações no Mundo Digital e a Expectativa pela Nova Cinebiografia

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO

  • ⏱ Tempo de leitura: 10-12 minutos
  • 📝 Contagem de palavras: 741 palavras
  • 🔤 Contagem de caracteres: 4.842 caracteres

É estimado que Michael Jackson possui cerca de 4,8 bilhões de fãs ao redor do mundo, com 95% da população mundial ainda reconhecendo seu nome, mesmo após sua morte em 2009 – ou seja, cerca de 9 em 10 pessoas conhecem o rei do Pop (Fatos Desconhecidos, 2025). E prova disso é que o trailer de sua cinebiografia, que será lançada em abril de 2026, foi o mais visto na história, com um total de 116 milhões nas primeiras 24 horas de seu lançamento (Rolling Stone, 2025).

Esse é um novo recorde para a lista de Michael Jackson, que emplaca como o único artista a ter sucessos no top 10 da Billboard Hot 100 em seis décadas consecutivas e ter o maior número de vitórias de um artista masculino no American Music Awards (Bilboard, 2020). E mais: o legado póstumo de Michael colhe o alcance mundial que as redes sociais e plataformas digitais proporcionam, cruzando gerações e formatos midiáticos diferentes.

Quando Michael Jackson morreu, o mundo estava mudando, com uma crise econômica global, Obama estava assumindo a presidência dos Estados Unidos como o primeiro negro nesta posição e testes nucleares de visibilidade chamavam a atenção no Oriente Médio, com o Irã, e na Ásia, com a Coreia do Norte. Mesmo assim, a perda do Rei do Pop foi um dos acontecimentos mais emblemáticos. Porém, o que Michael acharia e como aproveitaria de seu legado com a revolução digital?

A cultura pop mudou a partir dos anos 2010, com o trono vago, e as plataformas digitais, que permitiram conectar artistas aos fãs além dos palcos e videoclipes, em formatos e produções diferentes: hoje em dia, os artistas têm seus perfis no Instagram, onde seus fãs os seguem e interagem, além de também produzirem suas próprias releituras de danças e movimentos, as postando no TikTok. Ir ao show não é mais a única forma de se provar fã, mas é uma das opções supremas. Entretanto, não anula a chance de ter experiências com seu ídolo virtualmente, pois vários conteúdos são gerados em torno do mesmo objeto de admiração.

Além disso, as portas para a cultura pop de outros lugares também foram abertas com a internet e o universo digital, tal como a Onda Pop sul-coreana, que invadiu o mundo a partir de 2012. O grupo sul-coreano BTS, com sete integrantes, demonstrou que bebeu da fonte de Michael Jackson nos clipes “Dynamite” (2020), “Standing Next to You” (2023) e “Who” (2024). Pelo furor dos fãs que os seguem – viciados e fascinados por suas falas, estéticas e produções – e seu estilo híbrido, mas ainda assim singular, podemos pensar que estes garotos estão dispostos a ocupar a posição de príncipes do Pop nesta nova era.

Porém, a chamada “Jacksonmania” está ressuscitando com o anúncio do filme bibliográfico de Michael Jackson, com o sobrinho Jaafar Jackson no papel principal, em uma era digital e que as interpretações da vida dos artistas também estão sujeitas a boatos (Fake News), interpretações dos fãs (fanfics) odiadores fervorosos (haters) que se espalham mais rapidamente e avidamente. Ainda é cedo para julgar o filme, mas o trailer já recebeu elogios e críticas, especialmente sobre o nariz de Michael em cena.

Os fãs e quem acompanhou a carreira de Michael Jackson pelos anos 1970 a 2000 esperou por uma adaptação digna, mas, mais que isso, também presenciaremos a sustentação de um legado em uma mídia inédita para um artista que nunca a experimentou em seu poder total, e nem estará vivo para proteger sua história do que vier a ser dito das redes sociais e plataformas digitais.

Logo, a geração mais velha que viu Michael nos palcos terá que ser aquela que julga pelo que presenciou nascer e crescer, e a geração mais nova que só ouviu falar do rei do Pop, fará isso pelo que ver nas suas redes e criará sua própria intepretação de Michael. O embate de gerações pode vir na arena do espaço digital, (tal como em “Rocketman” (2019) e “Bohemian Rhapsody” (2018)). De qualquer forma, como dito no trailer, mais uma vez, dentro do gênero Pop, é hora de “honrar seu passado e abraçar o futuro”.

Por Mariana Pacheco

 

🎯 PRINCIPAIS PONTOS (5 TÓPICOS)

1. Fenômeno Global Duradouro de Michael Jackson

O artigo estabelece que Michael Jackson possui cerca de 4,8 bilhões de fãs ao redor do mundo, com 95% da população mundial ainda reconhecendo seu nome mesmo após sua morte em 2009. O trailer da cinebiografia Michael (2026) foi o mais visto na história, com um total de 116 milhões nas primeiras 24 horas, demonstrando que ele permanece o único artista a ter sucessos no top 10 da Billboard Hot 100 em seis décadas consecutivas.

2. Transformação da Cultura Pop na Era Digital

A autora explica que a cultura pop mudou a partir dos anos 2010, com o trono vago e as plataformas digitais permitiram conectar artistas aos fãs além dos palcos e videoclipes. Agora os artistas têm seus perfis no Instagram e fãs produzem suas próprias releituras de danças e movimentos, as postando no TikTok, onde ir ao show não é mais a única forma de se provar fã.

3. Influência de Michael Jackson na Nova Geração: BTS como Herdeiros

O texto destaca como o grupo sul-coreano BTS demonstrou que bebeu da fonte de Michael Jackson nos clipes ‘Dynamite’ (2020), ‘Standing Next to You’ (2023) e ‘Who’ (2024). Com a Onda Pop sul-coreana que invadiu o mundo a partir de 2012, podemos pensar que estes garotos estão dispostos a ocupar a posição de príncipes do Pop nesta nova era.

4. Desafios do Legado na Era da Hiperconexão

A Jacksonmania está ressuscitando mas em uma era digital onde as interpretações da vida dos artistas também estão sujeitas a boatos (Fake News), interpretações dos fãs (fanfics) odiadores fervorosos (haters) que se espalham mais rapidamente. O desafio é a sustentação de um legado em uma mídia inédita para um artista que nunca a experimentou em seu poder total.

5. Embate Geracional no Espaço Digital

A autora identifica que a geração mais velha que viu Michael nos palcos terá que ser aquela que julga pelo que presenciou enquanto a geração mais nova que só ouviu falar do rei do Pop, fará isso pelo que ver nas suas redes e criará sua própria interpretação. Esse embate de gerações pode vir na arena do espaço digital, similar aos filmes “Rocketman” (2019) e “Bohemian Rhapsody” (2018), mas com o desafio de honrar seu passado e abraçar o futuro.

 

❓ FAQ COMPLETO (5 PERGUNTAS)

1. Quais são os números que comprovam a popularidade duradoura de Michael Jackson?

Segundo Mariana Pacheco, Michael Jackson possui cerca de 4,8 bilhões de fãs ao redor do mundo, com 95% da população mundial ainda reconhecendo seu nome mesmo após sua morte em 2009. O trailer da cinebiografia Michael (2026) foi o mais visto na história, com um total de 116 milhões nas primeiras 24 horas de seu lançamento. Ele também é o único artista a ter sucessos no top 10 da Billboard Hot 100 em seis décadas consecutivas e ter o maior número de vitórias de um artista masculino no American Music Awards.

2. Como a cultura pop mudou após a morte de Michael Jackson?

A autora explica que a cultura pop mudou a partir dos anos 2010, com o trono vago e as plataformas digitais permitiram conectar artistas aos fãs além dos palcos e videoclipes. Hoje os artistas têm seus perfis no Instagram, onde seus fãs os seguem e interagem, além de também produzirem suas próprias releituras de danças e movimentos, as postando no TikTok. Ir ao show não é mais a única forma de se provar fã, mas existe a chance de ter experiências com seu ídolo virtualmente.

3. Como o BTS se relaciona com o legado de Michael Jackson?

O texto destaca que o grupo sul-coreano BTS demonstrou que bebeu da fonte de Michael Jackson nos clipes ‘Dynamite’ (2020), ‘Standing Next to You’ (2023) e ‘Who’ (2024). A autora sugere que pelo furor dos fãs que os seguem – viciados e fascinados por suas falas, estéticas e produções – e seu estilo híbrido, mas ainda assim singular, podemos pensar que estes garotos estão dispostos a ocupar a posição de príncipes do Pop nesta nova era, aproveitando a Onda Pop sul-coreana que invadiu o mundo a partir de 2012.

4. Quais são os desafios de preservar o legado de Michael Jackson na era digital?

A autora identifica que a chamada ‘Jacksonmania’ está ressuscitando em uma era digital onde as interpretações da vida dos artistas também estão sujeitas a boatos (Fake News), interpretações dos fãs (fanfics) odiadores fervorosos (haters) que se espalham mais rapidamente e avidamente. O grande desafio é a sustentação de um legado em uma mídia inédita para um artista que nunca a experimentou em seu poder total, e nem estará vivo para proteger sua história do que vier a ser dito das redes sociais e plataformas digitais.

5. Como se dará o embate de gerações em torno do legado de Michael Jackson?

Mariana Pacheco explica que a geração mais velha que viu Michael nos palcos terá que ser aquela que julga pelo que presenciou nascer e crescer, enquanto a geração mais nova que só ouviu falar do rei do Pop, fará isso pelo que ver nas suas redes e criará sua própria interpretação de Michael. O embate de gerações pode vir na arena do espaço digital, similar ao que aconteceu com ‘Rocketman’ (2019) e ‘Bohemian Rhapsody’ (2018), mas com o objetivo de honrar seu passado e abraçar o futuro.

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Mariana Pacheco – Autora do artigo
  • Fatos Desconhecidos (2025) – Estatísticas sobre popularidade global de Michael Jackson
  • Rolling Stone (2025) – Dados sobre visualizações do trailer de Michael (2026)
  • Billboard (2020) – Recordes de Michael Jackson na Billboard Hot 100 e American Music Awards
  • Jaafar Jackson – Sobrinho de Michael Jackson, protagonista da cinebiografia
  • BTS – Grupo sul-coreano citado como influenciado por Michael Jackson
  • Rocketman (2019) e Bohemian Rhapsody (2018) – Filmes biográficos comparativos

 

🏷 HASHTAGS

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As Coleções de Obras Asiáticas em Paris https://thebardnews.com/as-colecoes-de-obras-asiaticas-em-paris/ Thu, 19 Feb 2026 00:01:16 +0000 https://thebardnews.com/?p=4703 🏛️ As Coleções de Obras Asiáticas em Paris 🎨 Como a França Concentrou 60 Mil Tesouros Asiáticos Longe de Casa 📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO […]

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🏛 As Coleções de Obras Asiáticas em Paris

🎨 Como a França Concentrou 60 Mil Tesouros Asiáticos Longe de Casa

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO

  • ⏱ Tempo de leitura: 8-10 minutos
  • 📝 Contagem de palavras: 665 palavras
  • 🔤 Contagem de caracteres: 4.169 caracteres

 

📰 RESUMO EXECUTIVO

Paris abriga a maior coleção de arte asiática da Europa com mais de 60 mil objetos nos museus Guimet e Cernuschi, formada através de coleções particulares de industriais franceses do século XIX e apropriação colonial de artefatos históricos durante expedições militares, saques e pilhagens na Indochina Francesa e China, levantando debates contemporâneos sobre repatriação cultural.

Ao visitar Paris, além das obras do famoso museu do Louvre, se pode encontrar a coleção mais abrangente de arte asiática do mundo, além de ser a maior da Europa, com aproximadamente mais de 60 mil objetos, nas instalações do Museu Guimet, localizado na Place d’Iéna.

A constituição de tal acervo se deu, primeiramente, pela coleção particular de Emile Guimet – que dá nome ao museu –, empresário da produção industrial do azul marino artificial, no século XIX. Depois, expandiu para abraçar a coleção de porcelana chinesa de Ernest Grandidier, outro industrial provindo de uma família rica, que lhe permitiu realizar viagens pelas Américas do Norte e Sul e, posteriormente, Ásia. Outro espaço que chama a atenção é o museu Cernuschi, localizado na antiga mansão do banqueiro italiano Henri Cernuschi, com cerca de 13 mil peças.

Todas as coleções mencionadas, antes particulares, se compõem de objetos provindos do Japão, da China, da Coreia (ainda unificada), do Vietnã, Himalaias, Camboja, Tailândia e Indonésia. A maioria dos artefatos foi trazida para a França na segunda metade o século XIX, após a abertura dos portos chineses e dos outros países asiáticos para do Ocidente – alguns já sendo colônias da França e Inglaterra, como Camboja, Vietnã e Laos.

Esta região foi conhecida durante o período colonial (1887-1954) como Indochina Francesa, e além da exploração de matérias-primas da região, a França também se apropriou de artefatos históricos locais, durante saques e pilhagens de tropas coloniais nos territórios.

E, especificamente no caso da China, o enfraquecimento econômico causado após as Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), em que o país asiático enfrentou Inglaterra e França, facilitou a compra e remoção de artefatos históricos e arqueológicos pelas potências ocidentais do território chinês, por meio de expedições militares e diplomáticas realizadas por países europeus, inclusive a França.

Em exemplo extremo, temos o Saque do Palácio de Verão, em 1860, onde o complexo palaciano imperial chinês foi invadido por tropas inglesas e francesas, em retaliação pela captura de negociantes britânicos. O ocorrido resultou em roubo e perda de relíquias culturais e obras de arte importantes, que foram levadas para a Europa e exibidas pela França como espólio na época. O autor Victor Hugo condenou o ocorrido, comparando como a destruição e desaparecimento de um modelo de sonho.

Como os artefatos históricos foram adquiridos por magnatas de seu século não está contado nas placas de identificação de cada peça ou na história dos museus em seus portais online. Entretanto, ao adentrarmos nestes espaços, tão repletos de obras, cerâmicas, têxteis, estátuas e joias, temos tanto um sentimento de admiração pela riqueza histórica, quanto um mal-estar em pensar o porquê destas obras estarem tão longe de casa – algumas porcelanas chinesas nem a China possui mais, mas estão em museus europeus. É um dilema aos visitantes.

Por este motivo, constantemente se abre o debate sobre a devolução de peças arqueológicas por países europeus, inclusive a França, para o acervo nacional dos locais originais, com fala do atual presidente Emmanuel Macron. No caso das artes asiáticas, o país europeu se volta para a devolução de artefatos para o Museu Nacional do Camboja. E também há uma promessa de investimento milionário para rastrear a procedência de objetos do período colonial.

Como Victor Hugo esperamos o dia em que a França devolva essa pilhagem aos seus donos de verdade, para que a história e cultura asiáticas possam ser contadas e revividas em seus próprios museus, e não tão longe de casa.

 

⭐ PRINCIPAIS PONTOS (5 TÓPICOS)

  1. Maior Coleção Asiática da Europa em Paris

Paris abriga mais de 60 mil objetos asiáticos nos museus Guimet e Cernuschi, formando a coleção mais abrangente de arte asiática do mundo, com peças do Japão, China, Coreia, Vietnã, Himalaias, Camboja, Tailândia e Indonésia.

  1. Origem Colonial das Coleções

As coleções foram formadas por industriais franceses do século XIX (Emile Guimet, Ernest Grandidier, Henri Cernuschi) e expandidas através de apropriação colonial durante o período da Indochina Francesa (1887-1954) via saques e pilhagens militares.

  1. Saque do Palácio de Verão (1860)

O exemplo mais extremo foi a invasão do complexo imperial chinês por tropas inglesas e francesas, resultando em roubo massivo de relíquias culturais levadas para Europa, evento condenado por Victor Hugo como destruição de um “modelo de sonho”.

  1. Dilema Ético dos Visitantes

Museus não informam nas placas como artefatos foram adquiridos, criando conflito entre admiração pela riqueza histórica e mal-estar ético, especialmente considerando que algumas porcelanas chinesas nem existem mais na China, apenas em museus europeus.

  1. Movimento Contemporâneo de Repatriação

Emmanuel Macron iniciou debates sobre devolução de peças arqueológicas, com foco inicial no Museu Nacional do Camboja e promessa de investimento milionário para rastrear procedência de objetos do período colonial.

 

❓ FAQ COMPLETO (5 PERGUNTAS)

  1. Por que Paris possui a maior coleção de arte asiática da Europa?

Paris concentra mais de 60 mil objetos asiáticos devido à combinação de coleções particulares de industriais franceses ricos do século XIX (Emile Guimet, Ernest Grandidier, Henri Cernuschi) e apropriação sistemática durante o período colonial. A França explorou não apenas matérias-primas da Indochina Francesa (1887-1954), mas também se apropriou de artefatos históricos através de expedições militares, saques e pilhagens nos territórios colonizados.

  1. Como as Guerras do Ópio facilitaram a remoção de artefatos chineses?

As Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860) enfraqueceram economicamente a China, facilitando a compra e remoção de artefatos históricos pelas potências ocidentais. O exemplo mais extremo foi o Saque do Palácio de Verão em 1860, quando tropas inglesas e francesas invadiram o complexo imperial chinês, roubando relíquias culturais que foram levadas para Europa e exibidas como espólio de guerra.

  1. Por que os museus não informam como adquiriram os artefatos?

As placas de identificação e portais online dos museus omitem informações sobre como os artefatos históricos foram adquiridos pelos magnatas do século XIX. Esta omissão cria um dilema ético para visitantes, que experimentam tanto admiração pela riqueza histórica quanto mal-estar ao perceber que obras estão “longe de casa”, algumas sendo únicas e não existindo mais nem nos países de origem.

  1. Quais são os esforços atuais de repatriação cultural?

Emmanuel Macron iniciou debates sobre devolução de peças arqueológicas, com foco inicial na devolução de artefatos para o Museu Nacional do Camboja. A França prometeu investimento milionário para rastrear a procedência de objetos do período colonial, sinalizando mudança na política cultural em direção à justiça histórica e reconhecimento da apropriação colonial.

  1. Qual a importância da repatriação para os países asiáticos?

A repatriação permitiria que história e cultura asiáticas sejam contadas e revividas em seus próprios museus, não “longe de casa”. Muitos artefatos únicos, como certas porcelanas chinesas, existem apenas em museus europeus, privando os países de origem de seu próprio patrimônio cultural. A devolução representaria justiça histórica e reconhecimento dos danos causados pela apropriação colonial.

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Museu Guimet – Coleção de arte asiática em Paris
  • Museu Cernuschi – Coleção particular de Henri Cernuschi
  • História da Indochina Francesa – Período colonial (1887-1954)
  • Guerras do Ópio – Conflitos sino-europeus (1839-1860)
  • Saque do Palácio de Verão (1860) – Apropriação cultural colonial
  • Victor Hugo – Críticas ao colonialismo cultural
  • Emmanuel Macron – Políticas de repatriação cultural
  • Museu Nacional do Camboja – Esforços de devolução
  • Emile Guimet, Ernest Grandidier – Colecionadores industriais
  • Patrimônio Cultural Asiático – Questões de repatriação

 

🏷 HASHTAGS

#ColeçõesAsiáticas #MuseuGuimet #ApropriaçãoCultural #PatrimônioRoubado #RepatriaçãoCultural #ColonialismoFrancês #ArteAsiática

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O consumo da sociedade do entretenimento: comentando Byung Chul-Han https://thebardnews.com/o-consumo-da-sociedade-do-entretenimento-comentando-byung-chul-han/ Mon, 12 Jan 2026 23:07:23 +0000 https://thebardnews.com/?p=3038 📝 O consumo da sociedade do entretenimento: comentando Byung Chul-Han 🔎 Filósofo sul-coreano analisa como busca por dopamina digital transforma sociedade em consumidora de analgésicos […]

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📝 O consumo da sociedade do entretenimento: comentando Byung Chul-Han

🔎 Filósofo sul-coreano analisa como busca por dopamina digital transforma sociedade em consumidora de analgésicos do presente

⏱ Tempo de leitura: 6 min • Categoria: Filosofia

📰 Texto Principal

Com o avanço da tecnologia no decorrer dos anos, como nos comunicamos e nos socializamos se moldou aos novos meios e mídias. Estabelecemos contatos pelas redes sociais, construímos nossa imagem pelo que postamos, nosso tempo escoa mais rápido, e queremos fazer mais coisas ao mesmo tempo.

Nossa sociedade hoje, por esta inserção do universo digital, encara duas faces obscuras: de sujeitos voltados ao desempenho e auto exploração, entrando também em um cansaço constante por conta do nível elevado de produção exigido; e, ao mesmo tempo, também encaramos uma sociedade que não suporta a dor, e precisa, a todo custo, desonerar toda a forma de negatividade, pois ela não gera utilidade.

O cenário atual exige autores atuais para discutir assuntos que envolvem uma visão que aborde o universo digital e significados inéditos. A semiótica francesa não é mais suficiente para analisar a construção discursiva. A sociologia precisa expandir sua visão para bibliografias globais que incluam a tecnologia como fator de influência. E a comunicação tem que encarar o novo público consumidor que procura analgésicos do presente.

O autor sul-coreano Byung Chul-Han, que também é professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim, tem conseguido discutir essa nova classificação da nossa sociedade, do Ocidente ao Extremo-Oriente. Ele coloca definições coincidentes sobre nós: uma sociedade paliativa, que busca curar suas dores; a sociedade do desempenho, que se submete aos extremos das pressões internas, declinando à sociedade do cansaço, fruto de esgotamento excessivo e de não tornar objetivos possíveis.

Essas três definições estão em uma mesa sociedade atual, virtual e mais individual, que quer uma dopamina de suas dificuldades diárias – stress, correria, cansaço –, e usa o consumo como esta pílula. É aqui que entra a sociedade do consumo e entretenimento. Inicialmente, se trata de tornar tanto o sujeito quanto o produto midiático consumível, dar uma função social pelas narrativas.

Pelo autor, conseguimos entender que nossa sociedade ganha novas faces em efeito dominó, e que, principalmente para a comunicação, o entretenimento se torna um novo hábito de consumo que nos alivia das outras definições. O público agora quer produtos curtíveis ou instagramáveis, levando a “despolitização e à dessolidação da sociedade” (Han, 2021) e ao foco apenas na própria felicidade e da própria imagem.

Não se quer mais consumir produtos ou informações aprofundadas. Se quer o que nos felicite e entretenha, misturando esferas e tornando arte e cultura, por exemplo, relevantes apenas se consumíveis. O mesmo ocorre com o que vemos nas redes sociais e o que compartilhamos e com o que interagimos nas plataformas digitais. Na prática, um influenciador vende mais que um estudo sobre um produto, e se o uso dele alcançar seguidores para o consumidor, vale mais a pena ser comprado.

Porém, notamos que as dores crônicas da sociedade se tornam cada vez mais agressivas e extremas – suicídios, abusos físicos e psicológicos são um exemplo – e que, talvez, as doses de consumo positivo não suportem segurar as pressões. Para sobreviver, o que nos machuca por fora, teremos que nos insensibilizar.

E esse é o perigo: um consumo insensível em busca de uma felicidade imediata, enquanto tentamos nos tornar sempre positivos diante das telas e das poucas pessoas de nossa rotina, enquanto as violências se internalizam, se enraízam. Uma hora, nos saturaremos, e vídeos, séries, filmes, músicas, e outros produtos da indústria do entretenimento não serão suficientes para a saturação mental e física, seguido por colapsos em esferas diversas: primeiro individual, depois coletivamente.

Byung Chul-Han não desenvolve uma previsão para o futuro – até mesmo porque não é esta a função de um pesquisador -, mas de seus estudos, conseguimos imaginar que é preocupante para onde vai nossa sociedade, cercada de um enxame digital, sem sentir as dores das picadas e das bolhas em seus pés, suportando com um sorriso sádico um caminho infindável e cada vez mais desgastante, disfarçando suas feridas com maquiagens borradas e roupas desconexas. Consegue imaginar este andarilho aberrante? Ele pode nos representar.

⭐ Principais Pontos

  • Byung Chul-Han identifica sociedade atual como paliativa, do desempenho e do cansaço simultaneamente • Universo digital criou sujeitos voltados ao auto exploração e que não suportam negatividade • Sociedade busca dopamina através do consumo de entretenimento como analgésico do presente • Público prefere produtos “curtíveis” e “instagramáveis”, levando à despolitização social • Consumo insensível pode levar a colapsos individuais e coletivos quando entretenimento não for suficiente

❓ Perguntas Frequentes

Quem é Byung Chul-Han e qual sua contribuição para entender a sociedade atual? Byung Chul-Han é filósofo sul-coreano e professor na Universidade de Berlim que analisa a sociedade digital moderna, definindo-a como paliativa, do desempenho e do cansaço, buscando dopamina através do consumo.

O que caracteriza a “sociedade do entretenimento” segundo o autor? É uma sociedade que transforma sujeito e produto midiático em consumíveis, priorizando o que felicita e entretém em detrimento de informações aprofundadas, levando à despolitização e foco apenas na própria imagem.

Qual o perigo do consumo insensível identificado pelo filósofo? O risco está na busca por felicidade imediata através do entretenimento enquanto violências se internalizam, podendo levar à saturação e colapsos quando produtos da indústria do entretenimento não forem mais suficientes.

📚 Fontes e Referências

  • Byung Chul-Han (2021) • Universidade de Berlim – Filosofia e Estudos Culturais

🔑 Palavras-chave (SEO)

Principal: Byung Chul-Han sociedade entretenimento Secundárias: sociedade do desempenho, sociedade do cansaço, consumo digital, dopamina digital, despolitização social, filosofia contemporânea, universo digital

🏷 Hashtags para o site

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