📝 O consumo da sociedade do entretenimento: comentando Byung Chul-Han
🔎 Filósofo sul-coreano analisa como busca por dopamina digital transforma sociedade em consumidora de analgésicos do presente
⏱️ Tempo de leitura: 6 min • Categoria: Filosofia
📰 Texto Principal
Com o avanço da tecnologia no decorrer dos anos, como nos comunicamos e nos socializamos se moldou aos novos meios e mídias. Estabelecemos contatos pelas redes sociais, construímos nossa imagem pelo que postamos, nosso tempo escoa mais rápido, e queremos fazer mais coisas ao mesmo tempo.

Nossa sociedade hoje, por esta inserção do universo digital, encara duas faces obscuras: de sujeitos voltados ao desempenho e auto exploração, entrando também em um cansaço constante por conta do nível elevado de produção exigido; e, ao mesmo tempo, também encaramos uma sociedade que não suporta a dor, e precisa, a todo custo, desonerar toda a forma de negatividade, pois ela não gera utilidade.
O cenário atual exige autores atuais para discutir assuntos que envolvem uma visão que aborde o universo digital e significados inéditos. A semiótica francesa não é mais suficiente para analisar a construção discursiva. A sociologia precisa expandir sua visão para bibliografias globais que incluam a tecnologia como fator de influência. E a comunicação tem que encarar o novo público consumidor que procura analgésicos do presente.

O autor sul-coreano Byung Chul-Han, que também é professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim, tem conseguido discutir essa nova classificação da nossa sociedade, do Ocidente ao Extremo-Oriente. Ele coloca definições coincidentes sobre nós: uma sociedade paliativa, que busca curar suas dores; a sociedade do desempenho, que se submete aos extremos das pressões internas, declinando à sociedade do cansaço, fruto de esgotamento excessivo e de não tornar objetivos possíveis.
Essas três definições estão em uma mesa sociedade atual, virtual e mais individual, que quer uma dopamina de suas dificuldades diárias – stress, correria, cansaço –, e usa o consumo como esta pílula. É aqui que entra a sociedade do consumo e entretenimento. Inicialmente, se trata de tornar tanto o sujeito quanto o produto midiático consumível, dar uma função social pelas narrativas.

Pelo autor, conseguimos entender que nossa sociedade ganha novas faces em efeito dominó, e que, principalmente para a comunicação, o entretenimento se torna um novo hábito de consumo que nos alivia das outras definições. O público agora quer produtos curtíveis ou instagramáveis, levando a “despolitização e à dessolidação da sociedade” (Han, 2021) e ao foco apenas na própria felicidade e da própria imagem.
Não se quer mais consumir produtos ou informações aprofundadas. Se quer o que nos felicite e entretenha, misturando esferas e tornando arte e cultura, por exemplo, relevantes apenas se consumíveis. O mesmo ocorre com o que vemos nas redes sociais e o que compartilhamos e com o que interagimos nas plataformas digitais. Na prática, um influenciador vende mais que um estudo sobre um produto, e se o uso dele alcançar seguidores para o consumidor, vale mais a pena ser comprado.

Porém, notamos que as dores crônicas da sociedade se tornam cada vez mais agressivas e extremas – suicídios, abusos físicos e psicológicos são um exemplo – e que, talvez, as doses de consumo positivo não suportem segurar as pressões. Para sobreviver, o que nos machuca por fora, teremos que nos insensibilizar.
E esse é o perigo: um consumo insensível em busca de uma felicidade imediata, enquanto tentamos nos tornar sempre positivos diante das telas e das poucas pessoas de nossa rotina, enquanto as violências se internalizam, se enraízam. Uma hora, nos saturaremos, e vídeos, séries, filmes, músicas, e outros produtos da indústria do entretenimento não serão suficientes para a saturação mental e física, seguido por colapsos em esferas diversas: primeiro individual, depois coletivamente.
Byung Chul-Han não desenvolve uma previsão para o futuro – até mesmo porque não é esta a função de um pesquisador -, mas de seus estudos, conseguimos imaginar que é preocupante para onde vai nossa sociedade, cercada de um enxame digital, sem sentir as dores das picadas e das bolhas em seus pés, suportando com um sorriso sádico um caminho infindável e cada vez mais desgastante, disfarçando suas feridas com maquiagens borradas e roupas desconexas. Consegue imaginar este andarilho aberrante? Ele pode nos representar.
⭐ Principais Pontos
- Byung Chul-Han identifica sociedade atual como paliativa, do desempenho e do cansaço simultaneamente • Universo digital criou sujeitos voltados ao auto exploração e que não suportam negatividade • Sociedade busca dopamina através do consumo de entretenimento como analgésico do presente • Público prefere produtos “curtíveis” e “instagramáveis”, levando à despolitização social • Consumo insensível pode levar a colapsos individuais e coletivos quando entretenimento não for suficiente
❓ Perguntas Frequentes
Quem é Byung Chul-Han e qual sua contribuição para entender a sociedade atual? Byung Chul-Han é filósofo sul-coreano e professor na Universidade de Berlim que analisa a sociedade digital moderna, definindo-a como paliativa, do desempenho e do cansaço, buscando dopamina através do consumo.
O que caracteriza a “sociedade do entretenimento” segundo o autor? É uma sociedade que transforma sujeito e produto midiático em consumíveis, priorizando o que felicita e entretém em detrimento de informações aprofundadas, levando à despolitização e foco apenas na própria imagem.
Qual o perigo do consumo insensível identificado pelo filósofo? O risco está na busca por felicidade imediata através do entretenimento enquanto violências se internalizam, podendo levar à saturação e colapsos quando produtos da indústria do entretenimento não forem mais suficientes.
📚 Fontes e Referências
- Byung Chul-Han (2021) • Universidade de Berlim – Filosofia e Estudos Culturais
🔑 Palavras-chave (SEO)
Principal: Byung Chul-Han sociedade entretenimento Secundárias: sociedade do desempenho, sociedade do cansaço, consumo digital, dopamina digital, despolitização social, filosofia contemporânea, universo digital
🏷️ Hashtags para o site
#byungchulhan #filosofia #sociedadeentretenimento #consumodigital #tecnologia


