📚 QUANDO É PRECISO FALAR SOBRE O ÓBVIO
“Num mundo que opera cirurgias à distância, ainda há crianças que não conseguem chegar à escola.”
📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱️ Tempo de leitura: 5–8 minutos
📝 Gênero: Artigo de opinião / ensaio sobre direito à educação
📰 RESUMO
No texto, a Profa. Dra. Sandra Santiago defende que ainda é necessário “falar sobre o óbvio”: educação como direito de todos. A partir de dados recentes da UNESCO, Unicef e Undime, ela mostra que, mesmo em 2026, milhões de crianças e jovens estão fora da escola no mundo e no Brasil, seja por guerra, miséria, desigualdade de gênero, barreiras geográficas ou racismo estrutural. O artigo confronta a contradição entre os avanços da ciência e da tecnologia e a negação de um direito básico, destacando como meninas, pessoas com deficiência, pretas, pardas, indígenas e quilombolas são as mais afetadas. Ao resgatar vozes como Pitágoras e Nelson Mandela, a autora reafirma a educação como bem essencial à condição humana e denuncia a exclusão escolar como forma de marginalizar, retirar dignidade e matar a esperança justamente de quem mais deveria ser protegido: crianças e jovens.

Parece tolice, nos dias atuais, se dedicar um espaço para discutir a Educação como direito de todos, mas, garanto que não o é. Em diversas partes do mundo, e também no Brasil, crianças e jovens estão privados do direito à educação. Nos discursos essa premissa está amplamente difundida e reproduzida, mas, na prática, de fato, a educação não está garantida para todos.

Dados de um relatório da UNESCO, divulgados em 2024, portanto, muito recentemente, revelam que aproximadamente 251 milhões de crianças e jovens, em todo o mundo, ainda estão fora da escola e, grande percentual deles, nunca estudarão.

Por razões diversas, esta parcela bem significativa dos que se encontram no período mais propício à aprendizagem formal, não tem acesso a ela. Em alguns países, a guerra rouba esse direito, noutros, a miséria obriga crianças e jovens a abandonar a escola para trabalhar. Noutros, estudar ainda não é um direito das mulheres. Em algumas regiões, a escola não chega até os moradores do local, consequentemente, a distância e as dificuldades que elas representam, se transformam em obstáculos intransponíveis.
Nos perguntamos: como é possível que estejamos em 2026 e que testemunhemos tamanha contradição? De um lado, assistimos ao advento da ciência e da tecnologia gerando resultados e produtos inimagináveis há algumas décadas; enquanto de outro, vemos um direito básico negado, sem nenhum constrangimento.

Num tempo onde é possível realizar cirurgias à distância, explorar espaços siderais, produzir uma inteligência artificial, ainda, não protegemos os mais vulneráveis. Milhões de crianças e jovens são privados do direito de aprender e, se são meninas, se possuem deficiências, e se são pretas, indígenas ou quilombolas, a situação piora sensivelmente.
A educação é pensada e defendida desde épocas longínquas e muitos filósofos, pensadores, pedagogos e poetas, depositaram nela suas maiores apostas. Pitágoras, na Antiguidade clássica, já dizia que se educássemos as crianças, não teríamos necessidade de punir os homens, portanto, destacava o papel que a educação exerceria na construção de uma sociedade melhor. Mais recentemente, temos nas palavras do grande líder africano, Nelson Mandela, a valorização da educação como a arma mais poderosa que alguém pode usar para mudar o mundo.

Mas, a exclusão não ocorre somente quando não há escola; se dá ainda quando não há vagas suficientes para todos, como indica um levantamento feito pelo Unicef e pela Undime, divulgado em 2025, que aponta que, na Paraíba, mais de 30 mil crianças e jovens em idade escolar obrigatória, ou seja, entre 4 e 17 anos, estão fora da escola e que mais de 50% são meninas. E a situação piora quando as crianças e adolescentes da Paraíba são pretos, pardos e indígenas, pois o índice chega a 79% para esse público (UNICEF, 2024).
De fato, a educação é um bem essencial à condição humana. É através dela que nos humanizamos. A falta de educação gera a exclusão e esta é absolutamente perniciosa, pois, ao destituir alguém do direito à educação, o condenamos à marginalidade. Por sua vez, marginalizar é retirar a dignidade, promover a desesperança. Isso tem efeitos arrasadores, sobretudo, quando as vítimas são crianças e jovens, justamente aqueles a quem deveríamos cuidar, proteger, conduzir.
Por Profa. Dra. Sandra Santiago
7ª edição – março 2026
❓ PERGUNTAS PARA LEITORES / RODAS DE CONVERSA SOBRE EDUCAÇÃO
- Quando você ouve que “educação é direito de todos”, em que situações concretas essa frase deixa de ser verdade no lugar onde você vive?
- O que mais te choca: os números globais (251 milhões fora da escola) ou os dados locais, como os da Paraíba? Por quê?
- Que grupos você percebe como mais invisibilizados na conversa sobre acesso à educação (meninas, pessoas com deficiência, povos indígenas, quilombolas…)?
- Na prática, o que cada um de nós pode fazer – mesmo em pequena escala – para diminuir a exclusão escolar ao redor?
- Como conciliar o entusiasmo com a tecnologia e a ciência com a urgência de garantir o “básico” para todos: o direito de aprender?
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