Arquivo de Curiosidades - The Bard News https://thebardnews.com/tag/curiosidades/ Seu Jornal Multiartístico, Multiliterário e Multicultural Mon, 09 Mar 2026 17:14:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://thebardnews.com/wp-content/uploads/2026/01/cropped-1-32x32.png Arquivo de Curiosidades - The Bard News https://thebardnews.com/tag/curiosidades/ 32 32 Festas de Colheita, Solstício e Rituais de Passagem: As celebrações que moldaram o Ocidente https://thebardnews.com/festas-de-colheita-solsticio-e-rituais-de-passagem-as-celebracoes-que-moldaram-o-ocidente/ Mon, 09 Mar 2026 17:14:34 +0000 https://thebardnews.com/?p=5157 📚 Festas de Colheita, Solstício e Rituais de Passagem: As celebrações que moldaram o Ocidente “Antes dos relógios e calendários, eram a terra, o céu […]

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📚 Festas de Colheita, Solstício e Rituais de Passagem: As celebrações que moldaram o Ocidente
“Antes dos relógios e calendários, eram a terra, o céu e os ritos que marcavam o tempo humano.”

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱ Tempo de leitura: 7–10 minutos
📝 Gênero: Ensaio histórico-cultural / divulgação

 

📰 RESUMO
O texto de Edna Lessa mostra como a cultura ocidental foi profundamente moldada pelos ritmos da natureza e pelos rituais que marcaram a vida coletiva. Festas de colheita, celebrações de solstício e rituais de passagem organizavam o tempo social, espiritual e econômico muito antes dos Estados modernos e das grandes religiões institucionalizadas. As sociedades agrícolas da Antiguidade celebravam a colheita como questão de sobrevivência, em festivais de gratidão e pedido de proteção, muitos depois ressignificados e incorporados pelo cristianismo — como a Saturnália romana, cujos elementos ecoam no Natal.

Ao olhar para o céu, os povos antigos usaram o solstício para construir calendários agrícolas e religiosos, transformando o movimento do Sol em bússola de plantio, colheita e festa. Já os rituais de passagem — nascimento, entrada na vida adulta, casamento, velhice, morte — estruturaram a organização social, seja em sacramentos cristãos ou em cerimônias de iniciação em sociedades antigas. Mesmo em um mundo urbano e tecnológico, vestígios desses ritos persistem em festas juninas, Natal, Ano Novo, casamentos e formaturas, lembrando que seguimos atravessando ciclos de despedida, amadurecimento e recomeço que continuam a marcar nossa travessia como humanidade.

 

A Terra como centro das celebrações

Ao longo dos séculos a cultura ocidental foi marcada pelo ritmo da natureza. O ciclo das colheitas, os solstícios e os rituais de passagem organizavam não apenas o tempo, mas a vida social, espiritual e econômica das comunidades, antes mesmo da consolidação de estados modernos e das grandes religiões que foram institucionalizadas.

Na antiguidade, as sociedades agrícolas celebravam a colheita como uma questão de sobrevivência. Os povos antigos, a exemplo dos gregos, rendiam homenagens a divindades ligadas à fertilidade da terra em festivais para agradecer a abundância recebida, e pedir proteção para o ciclo seguinte. Por toda a Europa festas semelhantes aconteciam e evidenciavam o fim do verão e o início do outono. Essas celebrações eram marcadas pela partilha de alimentos, oferendas, cantos e danças tradicionais. Eram verdadeiros momentos de coesão social, tendo em vista que fortaleciam laços comunitários e geravam   dependência coletiva dos ciclos naturais.

Com o avanço do cristianismo, essas festividades foram sendo ressignificadas e incorporadas as novas tradições religiosas com novos cristãos. Um exemplo é o festival romano Saturnália que ocorria em dezembro e celebrava a abundância. Estudos apontam que algumas características e elementos festivos integram hoje a celebração da tradicional festa de natal.

 

Solstícios: quando o céu ditava o calendário

Por muito tempo o homem olhou para o céu como uma necessidade de entender melhor o tempo e a natureza. Antes de todo este aparato tecnológico que temos hoje, relógios, calendários, internet, satélites, entre tantos outros, o céu era o senhor do tempo. Era ele quem ensinava o homem quando plantar, colher, esperar e recomeçar de novo. E entre todos os eventos celestes observados na antiguidade, o solstício ocupava um lugar central.

O solstício é essencial para a organização do tempo na história da humanidade pois foi fundamental para a criação dos calendários agrícolas e religiosos que influenciaram o calendário ocidental. Este fenômeno natural ocorre duas vezes por ano, quando o sol atinge seu ponto mais extremo no céu, ou seja, o ponto máximo de afastamento do equador celeste, marcando os dias mais longos e mais curtos do ano. No hemisfério norte, o solstício de verão acontece por volta de junho e o solstício de inverno, por volta de dezembro; no hemisfério sul ocorre o inverso.

Na antiguidade o sol funcionava como uma verdadeira bússola para os povos, pois observar seu movimento no céu permitia prevê as estações do ano e reconhecer os inícios e encerramentos de ciclos naturais. Por isso, tornou-se um símbolo crucial para os ritos e festividades das antigas civilizações. Assim, o solstício não é apenas um fenômeno astronômico. Ele representa um marco simbólico e prático na organização da vida humana influenciando a agricultura (orientando plantio e colheita), celebrações religiosas, festas populares e a própria estrutura do calendário usado no mundo contemporâneo.

 

Rituais de passagem: travessias e mudanças

A vida não é apenas uma sequência de dias, mas uma travessia permeada por ciclos que constituem a existência humana. Desde as civilizações mais antigas, os rituais de passagem sinalizaram acontecimentos que marcam a vida de homens e mulheres: o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento, a velhice e até a morte. Os rituais de passagem desempenharam papel central na organização social do Ocidente. Na tradição cristã, sacramentos como o batismo e a crisma formalizam etapas espirituais e sociais do indivíduo. Em sociedades antigas, cerimônias de iniciação podiam envolver provas físicas ou espirituais, reforçando valores coletivos e preparando o jovem para assumir novas responsabilidades.

Embora o mundo contemporâneo seja predominantemente urbano e tecnológico, vestígios dessas celebrações continuam presentes em nossa cultura. As Festas juninas no Brasil, celebrações de natal, ano novo, os casamentos tradicionais e até as formaturas carregam traços simbólicos de antigas práticas. Ao longo do tempo, muitos desses rituais desapareceram ou foram ressignificados passando a ser vistos apenas como formalidades sociais. No entanto,  enquanto humanidade, continuamos atravessando ciclos inevitáveis da existência: despedidas, perdas, amadurecimento, aprendizados e  recomeços. A vida segue seu curso e as passagens continuam a marcar, de distintas formas, a nossa travessia.

Por Edna Lessa

7ª edição março 2026

 

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA

  1. Qual dessas dimensões te toca mais: as festas de colheita, os solstícios ou os rituais de passagem? Por quê?
  2. Você enxerga alguma celebração da sua vida (aniversários, casamentos, formaturas, festas religiosas) como um “resto” moderno desses ritos antigos?
  3. Em um mundo urbano e tecnológico, o que ainda te faz perceber os ciclos da natureza influenciando a sua rotina (estações, luz do dia, clima, colheitas)?
  4. Que ritual de passagem você considera mais marcante na sua trajetória até aqui — e por quê?
  5. Há algum momento da vida contemporânea que você acha que merecia um ritual de passagem mais claro (lutos, recomeços, mudanças de carreira, migrações)?

 

📚 FONTES E REFERÊNCIAS

  • Tradições agrícolas e festivais de colheita na Antiguidade (gregos e outros povos europeus).
  • Estudos sobre a Saturnália romana e sua relação simbólica com elementos presentes no Natal cristão.
  • Pesquisas em história da religião e antropologia sobre o papel dos solstícios na criação de calendários agrícolas e rituais.
  • Bibliografia clássica sobre rituais de passagem (como a obra de Arnold van Gennep) e sua influência em práticas cristãs e ocidentais.
  • Leituras contemporâneas sobre permanência e ressignificação de ritos em festas populares modernas (Festas juninas, Natal, Ano Novo, casamentos, formaturas).

 

🏷 HASHTAGS SUGERIDAS

thebardnews #jornalthebardnews #EdnaLessa #história #cultura #festasdecolheita #solstício

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Por que algumas estátuas antigas não têm narizes? https://thebardnews.com/por-que-algumas-estatuas-antigas-nao-tem-narizes/ Mon, 09 Mar 2026 17:05:12 +0000 https://thebardnews.com/?p=5148 📚 Por que algumas estátuas antigas não têm narizes? “Quando um simples nariz quebrado revela séculos de política, religião e simbologia.”   📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS […]

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📚 Por que algumas estátuas antigas não têm narizes?
“Quando um simples nariz quebrado revela séculos de política, religião e simbologia.”

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱ Tempo de leitura: 5–8 minutos
📝 Gênero: Texto de divulgação histórica / curiosidade cultural

 

📰 RESUMO
O texto de Stella Gaspar responde à pergunta curiosa – por que tantas estátuas antigas aparecem sem nariz – mostrando que a resposta vai muito além do “acidente de percurso”. Embora o desgaste natural, quedas e impactos expliquem parte dos danos (o nariz é a área mais saliente e vulnerável), a autora destaca o papel central do vandalismo intencional: em guerras, disputas políticas e conflitos religiosos, quebrar o nariz de uma estátua era uma forma simbólica de retirar o “poder” ou a “vida” da figura representada. Exemplos do Egito e da Grécia antigas, somados a estudos de pesquisadores como Mark Bradley e Rachel Kousser, revelam que ataques a esculturas eram uma espécie de “apagamento” de governantes e deuses anteriores. O texto ainda explora o nariz como símbolo de clarividência e paciência em diversas culturas, concluindo que essas estátuas mutiladas testemunham a força da arte como ponte entre o divino, o político e o humano.

Muitas estátuas antigas, especialmente da Grécia e do Egito, são vistas hoje sem nariz, gerando curiosidade em quem as observa. As estátuas não têm nariz principalmente por vandalismo intencional. Também por acidentes (o nariz, sendo uma parte saliente, é a primeira peça a quebrar em quedas ou impactos), e pelo desgaste natural causado pelo tempo e intempéries, especialmente em materiais mais frágeis como calcário ou terracota. Com o passar do tempo, fatores como erosão pelo vento, chuva, oxidação e mudanças de temperatura podem desgastar e enfraquecer a pedra ou o material usado na confecção da estátua. Assim, o nariz, por estar mais exposto, é uma das primeiras partes a se quebrar ou se desgastar. O nariz, por ser uma parte saliente e bastante exposta da figura esculpida, tende a ser uma das primeiras áreas a sofrer danos consideráveis. Sua posição e formato facilitam o desgaste acelerado, tornando-o especialmente suscetível a quebras, rachaduras e desintegração ao longo do tempo.

 

Alguns aspectos históricos

Em períodos de conflitos políticos, religiosos ou invasões, era comum que estátuas fossem danificadas propositalmente para desfigurar representações de reis, deuses ou figuras consideradas inimigas. Remover o nariz, por exemplo, era uma forma simbólica de retirar o “poder” ou a “vida” do retratado, já que, em algumas culturas, acreditava-se que a estátua poderia abrigar o espírito da pessoa representada.

  • Egito Antigo: Muitas esculturas de faraós e divindades egípcias foram mutiladas em ataques iconoclastas ao longo dos séculos, principalmente no período greco-romano e durante invasões estrangeiras.
  • Grécia Antiga: Guerras, invasões e mudanças religiosas também levaram à destruição de partes de esculturas, principalmente de deuses e líderes.

De acordo com Mark Bradley  (2012), professor de clássicos da Universidade de Nottingham, mostra em suas pesquisas que foi exatamente isso que aconteceu com algumas dessas estátuas. No Egito, havia até um assentamento chamado Rhinokoloura (‘a cidade dos narizes cortados’) onde criminosos banidos, cujos narizes haviam sido cortados, eram enviados para o exílio. Além desses exemplos, existem inúmeros mitos e lendas que caracterizam a remoção do nariz como punição ou humilhação.

 

O Nariz — como símbolo de clarividência.

Além de sua função fisiológica essencial, filtrando o ar e se comunicando com o cérebro por meio das células olfativas, o nariz também possui uma forte dimensão simbólica em diversas culturas. Em muitos contextos, é associado à intuição e à percepção aguçada do mundo, representando clarividência e uma conexão profunda com o ambiente ao redor. Essa simbologia se manifesta, por exemplo, na tradição bíblica, em que a expressão hebraica “longânimo” tem origem na ideia de “narizes longos”, sugerindo paciência e autocontrole. Assim, o nariz transcende o aspecto físico, tornando-se um atributo ligado à sabedoria, à capacidade de perceber além do óbvio e à tolerância diante das adversidades.

 

Por que tantas estátuas antigas não têm nariz? Quem fez isso e por quê?

Um nariz quebrado ou ausente é uma característica comum em esculturas antigas de todas as culturas e todos os períodos da história antiga. Não é de forma alguma uma característica que se limita a esculturas egípcias.

 

“Quem desfigurou essas obras de arte?”

Ao longo dos séculos, estátuas antigas resistiram aos estragos de inúmeras batalhas ferozes. Essas estruturas não só eram frequentemente danificadas em guerras, como também eram alvos de novos governantes que buscavam afirmar seu poder, muitas vezes desfigurando e destruindo estátuas de dinastias anteriores.

Segundo Rachel Kousser (2024), professora de arte antiga na City University de Nova York, todas as culturas do mundo antigo seguiam esse costume. Ao danificar estátuas, isso apagava e desacreditava indiretamente o prestígio histórico do antigo governante.

O legado histórico, das estátuas sem nariz, especialmente no contexto do Antigo Egito, revela uma profunda conexão entre arte, religião e política, indo muito além do simples desgaste natural.

 

Análise final:

A mutilação intencional das estátuas demonstra o quão poderosas essas representações eram para as civilizações antigas, servindo como pontos de encontro entre o divino e o humano.

Por Stella Gaspar

7ª edição março 2026

 

❓ PERGUNTAS PARA LEITORES / CLUBES DE LEITURA / AULA DE HISTÓRIA

  1. Quando você via estátuas sem nariz antes de ler esse texto, pensava mais em “acidente” ou em “intencionalidade”? Isso mudou agora?
  2. O que te parece mais revelador sobre as estátuas mutiladas: o vandalismo político-religioso ou a simbologia cultural associada ao nariz?
  3. Como você enxerga hoje a ideia de “apagar” um governante ou uma crença destruindo suas imagens? Vê paralelos com práticas atuais?
  4. Se pudesse restaurar apenas uma estátua famosa do mundo antigo, qual seria e por quê?
  5. De que maneira saber esses bastidores muda a forma como você olha para peças em museus e sítios arqueológicos?

 

📚 HASHTAGS SUGERIDAS

thebardnews #jornalthebardnews #história #arqueologia #estátuas #EgitoAntigo #GréciaAntiga #patrimônio #arteantiga #StellaGaspar

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Heroínas Ocultas: As Mulheres que Moldaram a História https://thebardnews.com/heroinas-ocultas-as-mulheres-que-moldaram-a-historia/ Tue, 06 May 2025 01:41:25 +0000 https://thebardnews.com/?p=1857 Jeane Tertuliano COLUNISTA Professora, escritora e palestrante. Graduada em Letras, possui pós-graduações em Educação Especial e Inclusiva, além de Literatura Africana, Indígena e Latina. Também […]

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Jeane Tertuliano

COLUNISTA

Professora, escritora e palestrante. Graduada em Letras, possui pós-graduações em Educação Especial e Inclusiva, além de Literatura Africana, Indígena e Latina. Também é Terapeuta Comportamental e Psicanalista Clínica e Forense. Autista (com AH, TDAH e baixa visão)

@jeanetertuliano

 

A história, essa narrativa tantas vezes escrita por mãos masculinas, tenta nos convencer de que o progresso nasceu do esforço de alguns poucos nomes. Mas se lermos as entrelinhas, se ouvirmos os sussurros esquecidos nos livros empoeirados, veremos que foram mãos femininas que teceram os fios que sustentam a humanidade!

As mulheres sempre estiveram lá! Foram elas que desafiaram impérios, que revolucionaram a ciência, que pintaram o mundo com cores de ousadia. Hipátia brilhou na Alexandria antiga, decifrando os mistérios do cosmos antes que a intolerância a reduzisse ao silêncio. Ada Lovelace concebeu os primeiros passos da computação, séculos antes de reconhecermos seu gênio. Rosalind Franklin capturou a estrutura da vida em uma fotografia, enquanto outros homens levavam o crédito pelo DNA.

O apagamento histórico não foi seletivo apenas no gênero. Foi também racial! Quantas mulheres negras moldaram o mundo e foram empurradas para os porões da história? Harriet Tubman libertou centenas de escravizados, desafiando um sistema que a via apenas como propriedade. Sua coragem foi tão grande que até mesmo o governo dos Estados Unidos a temia! E o que dizer de Katherine Johnson, a matemática negra que traçou os cálculos que permitiram a chegada do homem à Lua, enquanto mal podia usar os mesmos banheiros que seus colegas brancos na NASA?

E se falamos de escrita, quantas vozes femininas tiveram suas palavras arrancadas das páginas da memória? Mary Shelley, que deu vida à literatura de ficção científica, teve que lutar para que seu Frankenstein fosse reconhecido como seu. Clarice Lispector esculpiu a alma humana em palavras, mas só foi plenamente valorizada após sua morte. E Carolina Maria de Jesus? Negra, pobre, favelada, transformou a dor em literatura, mostrando ao Brasil o abismo de desigualdade que muitos fingiam não ver!

IMAGEM GERADA POR IA “usando LEONARDO IA, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 30/03/2025″

 

Quantas vezes a história tentou apagar suas pegadas, como se o mundo pudesse girar sem o pulso firme das mulheres? Quantas foram silenciadas, reduzidas a notas de rodapé, a sombras em biografias alheias? Marie Curie precisou ganhar dois prêmios Nobel para que ao menos um fosse lembrado! Bertha Lutz esteve na linha de frente da luta pelo voto feminino no Brasil, enquanto seu nome desaparecia dos livros didáticos!

O apagamento não é acidental. Não é distração. É um projeto sistemático que tenta empurrar as mulheres para os bastidores da história, enquanto os holofotes iluminam apenas os rostos que o patriarcado escolhe! A cada mulher esquecida, perdemos um exemplo, um espelho, uma faísca que poderia incendiar novas revoluções.

Hoje, quando olhamos para trás, não buscamos reconhecimento por vaidade, mas por justiça! Porque cada mulher que foi apagada leva consigo o brilho de muitas outras que poderiam ter sido inspiradas. A história nos deve nomes, nos deve memória, nos deve verdade!

Que fique bem claro: não pedimos permissão para existir nas páginas do futuro. Escrevemos nossa própria história. E desta vez, ninguém poderá apagá-la!

Por JEANE TERTULIANO

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Cartas, Poções e Venenos https://thebardnews.com/cartas-pocoes-e-venenos/ Mon, 05 May 2025 23:41:28 +0000 https://thebardnews.com/?p=1845 A História Secreta das Mulheres na Corte Europeia IMAGEM GERADA POR IA “usando FLUX PRO, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 19/03/2025″ Quando […]

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A História Secreta das Mulheres na Corte Europeia

IMAGEM GERADA POR IA “usando FLUX PRO, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 19/03/2025″

Quando pensamos nas cortes europeias, logo imaginamos reis poderosos, batalhas por territórios e alianças políticas. Mas, por trás dos tronos, havia uma força silenciosa — e extremamente estratégica: as mulheres.

Embora muitas vezes relegadas ao segundo plano nos registros oficiais, elas estavam longe de serem meras coadjuvantes. Com inteligência, charme e, às vezes, métodos nada convencionais, essas mulheres influenciaram os rumos da história de maneira surpreendente.

Cartas secretas, poções misteriosas, venenos letais. Eram essas as armas de um jogo silencioso, mas altamente eficaz.

As cartas, por exemplo, eram mais do que simples mensagens. Em uma época sem telefone, e muito menos internet, escrever era uma arte — e uma ferramenta de poder. Através de palavras bem escolhidas, elas teciam redes de influência, negociavam alianças e tramavam conspirações que poderiam mudar o destino de um reino.

Muitas dessas cartas vinham recheadas de códigos e mensagens cifradas. A ideia? Que ninguém, além do destinatário, soubesse do que se tratava. Catarina de Médici dominava esse jogo como ninguém. Com sua habilidade de manipular os bastidores políticos da França, ela fez das palavras suas principais aliadas.

Mas nem só de papel e tinta vivia a influência feminina nas cortes.

Havia também o conhecimento ancestral — passado de mãe para filha — sobre ervas, raízes e infusões. Poções que podiam curar, seduzir ou incapacitar. Um saber poderoso, guardado a sete chaves, que dava a essas mulheres um tipo de controle invisível… e muito eficiente. E então, temos o elemento mais sombrio dessa história: o veneno.

Num ambiente onde traições e disputas de poder eram rotina, o veneno se destacava por sua discrição. Bastava uma dose na taça certa e pronto: um obstáculo político a menos.

Lucrécia Bórgia virou lenda nesse aspecto. Verdade ou exagero, o fato é que seu nome até hoje carrega a aura do mistério, da manipulação e do medo. Um reflexo da imagem que se fazia — e ainda se faz — do poder feminino: algo sutil, mas perigosamente eficaz.

Mesmo com todas as limitações impostas pela sociedade da época, as mulheres da corte souberam encontrar brechas. Atuaram como conselheiras, diplomatas informais, estrategistas. Por meio de casamentos bem calculados,alianças políticas e um jogo de cintura admirável, moldaram decisões, influenciaram reis e ajudaram a desenhar o mapa da Europa.

“As cartas, por exemplo, eram mais do que simples mensagens. Em uma época sem telefone, e muito menos internet, escrever era uma arte — e uma ferramenta de poder.”

Elizabeth I é um exemplo clássico. Usou sua posição com maestria para consolidar o poder da Inglaterra e ampliar sua influência. Uma mulher só, enfrentando um mundo de homens — e vencendo o jogo.

Além do poder político,muitas dessas mulheres também foram mecenas das artes e das ciências. Patrocinaram artistas, introduziram novas modas, lançaram tendências. Deixaram sua marca na cultura, na estética e no imaginário europeu.

Hoje, o legado delas ainda pulsa — nos livros de história, nas séries, nos filmes. São histórias de astúcia, coragem e resistência. De mulheres que, mesmo nas sombras, brilharam.

E nos lembram que, às vezes, o poder mais impactante é aquele que não se vê de imediato. Mas que transforma tudo por onde passa.

Muito além dos salões: poder nas sombras da corte

Por trás dos tronos e dos salões iluminados, mulheres discretas moviam as engrenagens do poder com inteligência, estratégia e ousadia. Na Europa das intrigas palacianas, elas dominavam a arte da escrita cifrada, usando cartas codifica- das para tramar alianças, proteger segredos e derrubar inimigos.

Muitas se dedicavam à alquimia, explorando os mistérios da transformação da matéria em busca de poder e conhecimento — um saber que antecipava a ciência moderna. Outras atuavam como conselheiras influentes, tecendo acordos políticos, manipulando decisões e garantindo a ascensão de suas famílias em meio a jogos de interesses e rivalidades.

Essas mulheres também conheciam o poder das ervas: preparavam remédios, sedativos e, em alguns casos, venenos sutis — armas silenciosas em tempos de traições constantes. Eram espiãs, patronas das artes, estudiosas e, muitas vezes, praticantes de rituais místicos que refletiam a fusão entre fé, superstição e sobrevivência.

Muito além do papel decorativo que a história oficial costuma lhes atribuir, essas figuras femininas moldaram culturas, influenciaram governos e deixaram marcas profundas nas decisões que definiram o destino de nações.

Foram estrategistas silenciosas — e poderosas — que escreveram, nos bastidores, capítulos fundamentais da história europeia.

Por THE BARD NEWS, REDAÇÃO

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Rubião e Domingos: O preço da fortuna https://thebardnews.com/rubiao-e-domingos-o-preco-da-fortuna/ Sat, 03 May 2025 23:29:07 +0000 https://thebardnews.com/?p=1744 Aline Abreu Santana COLUNISTA Embaixadora da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. Doutora Honoris Causa pela Academia Mundial de Letras e Empreendedorismo, Professora […]

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Aline Abreu Santana

COLUNISTA

Embaixadora da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. Doutora Honoris Causa pela Academia Mundial de Letras e Empreendedorismo, Professora de Português e Literatura e atua como palestrante internacional e pesquisadora em educação e tecnologias educacionais.

Rubião e Domingos: O preço da fortuna

Na literatura brasileira, a trajetória de Rubião em “Quincas Borba” simboliza a fusão entre inocência e ambição que tanto permeia o imaginário social. O personagem, saído de uma posição modesta e alçado subitamente à opulência graças à herança de Quincas Borba, revela como o poder do dinheiro pode cegar e submeter suas vítimas a um círculo de bajuladores. A narrativa machadiana se desenrola com ironia: Rubião, preso à crença na fartura ilimitada, é envolto em um turbilhão de gastos e falsas promessas. Seu fim trágico, marcado pela perda não só de bens materiais, mas também de sua sanidade, evidencia a fragilidade daquele que confunde fortuna com estabilidade.

 

Esse enredo literário encontra eco em casos reais, como o de Antônio Domingos, cuja trajetória reflete, de forma quase trágica, a de Rubião. Em 1983, aos 19 anos, Domingos saiu da casa inacabada onde morava com a mãe na Bahia para se tornar um milionário da noite para o dia ao ganhar um prêmio de loteria equivalente a R$30 milhões. Subitamente transportado para um universo de luxo, hospedou-se na suíte presidencial de um hotel de Salvador e passou a viver como um verdadeiro monarca sem coroa. Cercado por falsos amigos e aproveitadores, entregou-se a festas extravagantes, carros abandonados pelo simples capricho de não trocá-los, roupas novas que substituíam qualquer necessidade de lavar as antigas e jantares fartos oferecidos a desconhecidos.

 

Cegos pelo fascínio do dinheiro fácil, tornaram-se exemplos vivos da ironia do destino.

 

Assim como Rubião, que se iludiu com a ideia de poder e prestígio, Domingos acreditou que sua fortuna jamais teria fim. No entanto, sem planejamento e sem a noção de que dinheiro não se multiplica sozinho, ele viu sua riqueza se dissolver em menos de cinco anos. Aos 24 anos, já sem nada, precisou retornar à mesma casa modesta de onde havia partido, agora sem ilusões e sem qualquer segurança financeira. Se Rubião perdeu a sanidade ao final de sua jornada, Domingos perdeu tudo o que um dia acreditou possuir. Ambos, cegos pelo fascínio do dinheiro fácil, tornaram-se exemplos vivos da ironia do destino e da efemeridade da riqueza quando mal administrada.

A relevância de se comparar a ficção machadiana a fatos concretos está na compreensão do aspecto efêmero da riqueza. Com frequência, a literatura parece antecipar o comportamento humano, ilustrando situações que, embora fantasiosas à primeira vista, encontram ampla correspondência na realidade. Ao fazer essa leitura paralela, percebemos que o fascínio provocado pela fortuna pode seduzir mentes despreparadas, levando-as a acreditar na eternidade de algo que não se mantém por si. O deslumbre inicial dá lugar ao abandono e às consequências de decisões mal planejadas.

 

Olhando além das páginas do romance, esse caso comprova a força da obra literária como meio de refletir sobre a condição humana. Tanto na ficção quanto na vida real, a ausência de planejamento e o excesso de confiança resultam em um desfecho amargo. Logo, a lição que se extrai é clara: a literatura, mesmo não oferecendo garantias de sucesso a quem a estuda, pode servir como um espelho. E esse espelho reflete, sobretudo, a necessidade de prudência, de senso crítico e de moderação na administração de qualquer ganho súbito. Afinal, o fascínio imediato pode ser apenas o primeiro passo rumo ao vazio.

Por ALINE ABREU SANTANA

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