Arquivo de Sandra Santiago - The Bard News https://thebardnews.com/tag/sandra-santiago/ Seu Jornal Multiartístico, Multiliterário e Multicultural Mon, 11 May 2026 01:34:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://thebardnews.com/wp-content/uploads/2026/01/cropped-1-32x32.png Arquivo de Sandra Santiago - The Bard News https://thebardnews.com/tag/sandra-santiago/ 32 32 Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história? https://thebardnews.com/da-guerra-a-paz-pode-uma-nova-cultura-mudar-o-curso-da-historia/ https://thebardnews.com/da-guerra-a-paz-pode-uma-nova-cultura-mudar-o-curso-da-historia/#respond Sun, 10 May 2026 17:23:17 +0000 https://thebardnews.com/?p=5710 📚Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história? Por Sandra Santiago Jornal The Bard News – 9ª edição – Maio […]

O post Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história? apareceu primeiro em The Bard News.

]]>
📚Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história?

Por Sandra Santiago
Jornal The Bard News – 9ª edição – Maio de 2026

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS

Gênero: Ensaio / Reflexão histórica e ética
Temas centrais: guerra, cultura de paz, ética, ONU, UNESCO, violência, responsabilidade individual e coletiva

 

📰 RESUMO

A humanidade quase nunca experimentou paz absoluta: a presença de guerras ao longo da história é constante, e o século XXI não é exceção. Em “Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história?”, Sandra Santiago discute a brutalidade das guerras – que vão muito além de disputas territoriais – e o rastro de destruição física, emocional e cultural que deixam. A partir da Segunda Guerra Mundial e da criação da ONU, a autora mostra como surgiram esforços para a construção de uma cultura de paz, mas alerta: sem ética, nenhuma estrutura é suficiente.

O texto apresenta três princípios fundamentais para essa cultura de paz, inspirados em iniciativas da ONU e da UNESCO: respeito a todas as formas de vida; rejeição ativa de toda violência; e descoberta da generosidade e solidariedade como base da felicidade e da convivência. Por fim, a autora provoca: sem paz interior, é possível construir paz no mundo? Diante de tantos adoecimentos mentais e de um “caos interno” generalizado, talvez o planeta seja apenas reflexo do que cultivamos dentro de nós. A mudança de cultura começa em cada um, na maneira como enxergamos o outro, a vida e o próprio sentido de existir.

 

Da Guerra À Paz: Pode Uma Nova Cultura Mudar O Curso Da História?

Talvez seja difícil imaginarmos um mundo de paz, tendo em vista que o planeta terra, praticamente, nunca experienciou a paz absoluta. Alguns historiadores consideram, inclusive, que o percentual de tempo sem conflitos armados, em todo o mundo, é muito pequeno quando se considera a história da humanidade. Portanto, não é de hoje que a humanidade vive em guerra e que diferentes organismos e movimentos sociais discutem estratégias para construção de uma cultura de paz.

De fato, talvez estejamos à beira de um conflito mundial, e se considerarmos o poderio bélico que alguns países detêm, talvez seja a última vez que a humanidade protagonizará tal espetáculo de horror e de dor. Uma pena e não há nenhum interesse aqui em causar pânico, muito pelo contrário: é mais um convite ao engajamento na construção da cultura de paz, ou seja, de refletirmos nosso lugar na história.

Se olharmos para o passado com atenção veremos que um dia foram os indígenas, depois os africanos, mais tarde os judeus, só para citar alguns. Algum momento, pode ser eu e você, não duvide disso. A título de ilustração, temos na última grande guerra, marcas difíceis de serem superadas por uma parcela muito significativa da população. Não à toa, preocupações emergiram desde então para que as relações entre povos e nações se desse de maneira respeitosa e soberana. Algumas ações até culminaram com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, com o objetivo de preservar a paz, mediar relações internacionais, dirimir conflitos e proteger os civis, que, geralmente, são as vítimas indefesas das grandes guerras.

A herança de uma guerra é que inúmeros seres humanos desaparecem e tantos outros têm suas vidas transformadas, suas histórias interrompidas, sua cultura apagada e suas dores escancaradas. Multidões de órfãos e viúvas. Sobreviventes adoecidos para todo o resto de suas vidas. Milhares de deficiências. Novas doenças. E, por fim, uma memória coletiva presa no medo, no sofrimento e na desesperança. Então, subjacentes às guerras não estão somente os interesses econômicos; é possível identificar muito mais. O mundo todo sangra, embora, alguns se achem vencedores e finjam não enxergar sua real condição. Todos são derrotados.

Seja na Antiguidade, seja no Século XXI, a guerra evidencia tão somente a brutalidade, a animalidade, a violência, a maldade. Não há justificativa para a guerra, mas, não há limites para a desfaçatez para tentar justificar o que é injustificável. E, apesar dos avanços científicos e tecnológicos, a trajetória civilizatória é muito frágil. Para onde foi o sentido ético da existência? Como nos perdemos de nós mesmos? Que valor tem a vida humana? Sem ética, tudo é descartável, até mesmo a vida. Sem ela, o humano esquece de humanizar-se, e recorre aos seus instintos mais primitivos para ser o centro de tudo, mesmo que esteja nele sozinho.

Atentar contra a vida, esse bem maior, não pode ser justificável. Destruir o semelhante, propagar a violência é um atestado de animalidade. Infelizmente, essas são premissas que sustentam a guerra, em pequena ou larga escala. O outro não vale nada, especialmente quando comparado a um pedaço de terra, uma jazida de ouro ou um barril de petróleo. Não importa o que digam, na guerra, de fato, nenhuma vida importa.

Mas, é preciso ser esperançoso e acreditar que ainda podemos fazer algo a respeito. Nessa perspectiva, baseado nas reflexões de Diskin e Roizman (2021) sobre os movimentos da ONU e da UNESCO (2000) em prol da paz no mundo, apresentaremos alguns princípios que são capazes de nos ajudar na construção da cultura de paz em nós, na nossa casa, no bairro, na cidade, no estado, no país e, portanto, no mundo inteiro.

Acreditamos que a construção da cultura de paz é de responsabilidade de todos e de cada um. Não dá para colocar tamanha responsabilidade na mão dos políticos. Para tanto, é preciso resgatar princípios. Respeitar a vida é o primeiro deles. Não um respeito qualquer ou para alguns. Estamos falando de RESPEITO por todas as formas de vida, inclusive do planeta, dos animais, dos vegetais, dos minerais e dos seres humanos, claro! Toda vida tem valor e precisa ser preservada, eis o princípio da paz.

O segundo princípio de alguém que se compromete em construir a cultura de paz é o de rejeitar toda e qualquer forma de violência:  física, sexual, psicológica, econômica ou social. E não basta não praticar a violência; é necessário não admitir sua existência, defender qualquer vítima e denunciar o agressor, ou seja, não se omitir, não se calar, assumir a postura de paz.

O terceiro princípio da cultura de paz é o da descoberta da generosidade e da solidariedade como alicerces da felicidade. Esse princípio se funda na ideia de que ninguém é feliz sozinho, portanto, é essencial compartilhar tempo, recursos, conquistas para conseguir superar as adversidades. Em nível micro, afeta as relações humanas e, em nível macro, impacta as relações entre nações e grupos, pois, quando se almeja o bem comum, ninguém será esquecido, abandonado, eliminado. Ninguém é um rival, um adversário ou inimigo. De tal modo, a generosidade e a fraternidade são recursos que inspiram e alicerçam a cultura de paz.

Diante disto, nos perguntamos: pode uma nova cultura mudar o curso da história ou será que o desejo pela destruição faz parte do ser humano? De fato, talvez, ainda estejamos longe de garantir a paz no mundo porque para dar, antes, é preciso ter. Será que, sem paz interior, alcançaremos a paz no mundo? Nunca antes se viu tantos indícios de adoecimentos mentais, depressão, ideação suicida…Então, se a humanidade vive um caos interno, é válido pensar que o mundo é só um reflexo? Ou somos donos do nosso destino e, portanto, formamos um todo que pode ser talhado no amor, na generosidade, na solidariedade e, portanto, na paz?

Vamos refletir…

 

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA (COM RESPOSTAS)

  1. Por que o texto insiste que “todas as guerras são derrotas”, mesmo quando alguns se consideram vencedores?
    Resposta: Porque, para além de ganhos econômicos ou territoriais, a guerra sempre deixa desaparecidos, traumas, destruição cultural, doenças e uma memória coletiva de medo e desesperança. Nesse sentido, independente de quem “vence” militarmente, a humanidade como um todo sai ferida.
  2. Qual é a crítica central à ideia de progresso civilizatório frente à existência de guerras recorrentes?
    Resposta: A autora mostra que, apesar de avanços científicos e tecnológicos, a trajetória civilizatória é frágil, pois sem ética a vida se torna descartável. O contraste entre sofisticação técnica e brutalidade moral evidencia que continuamos recorrendo a instintos primitivos de dominação e destruição.
  3. Quais são os três princípios propostos para a construção de uma cultura de paz?
    Resposta: (1) Respeito por todas as formas de vida – humanas e não humanas; (2) Rejeição ativa de toda forma de violência (física, sexual, psicológica, econômica, social), incluindo não se omitir diante dela; (3) Descoberta da generosidade e da solidariedade como alicerces da felicidade, entendendo que ninguém é feliz sozinho.
  4. Por que a autora afirma que não é possível delegar a construção da cultura de paz apenas aos políticos ou às instituições?
    Resposta: Porque a cultura de paz depende de princípios e práticas cotidianas que envolvem cada indivíduo: a forma como tratamos o outro, como reagimos à violência e como exercitamos solidariedade. Sem essa base, decisões políticas e estruturas institucionais não se sustentam na vida real.
  5. Qual é a relação estabelecida entre paz interior e paz mundial?
    Resposta: O texto sugere que o mundo pode ser reflexo do caos interno da humanidade: altos índices de depressão, adoecimento mental e desesperança indicam que falta paz dentro das pessoas. A pergunta é se é possível construir paz externa sem antes cultivar paz interior – um convite à responsabilidade pessoal pelo próprio equilíbrio e pela forma de se relacionar com o mundo.

 

🏷 HASHTAGS SUGERIDAS

#guerra e paz, #cultura de paz, #ética, #onu, unesco, #violência, #solidariedade, #generosidade, #saúde mental, #sandra santiago, #the bard news

O post Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história? apareceu primeiro em The Bard News.

]]>
https://thebardnews.com/da-guerra-a-paz-pode-uma-nova-cultura-mudar-o-curso-da-historia/feed/ 0
Quando É Preciso Falar Sobre O Óbvio https://thebardnews.com/quando-e-preciso-falar-sobre-o-obvio/ Sun, 08 Mar 2026 21:13:52 +0000 https://thebardnews.com/?p=5015 📚 QUANDO É PRECISO FALAR SOBRE O ÓBVIO “Num mundo que opera cirurgias à distância, ainda há crianças que não conseguem chegar à escola.”   […]

O post Quando É Preciso Falar Sobre O Óbvio apareceu primeiro em The Bard News.

]]>
📚 QUANDO É PRECISO FALAR SOBRE O ÓBVIO
“Num mundo que opera cirurgias à distância, ainda há crianças que não conseguem chegar à escola.”

 

📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS DO CONTEÚDO
⏱ Tempo de leitura: 5–8 minutos
📝 Gênero: Artigo de opinião / ensaio sobre direito à educação

 

📰 RESUMO
No texto, a Profa. Dra. Sandra Santiago defende que ainda é necessário “falar sobre o óbvio”: educação como direito de todos. A partir de dados recentes da UNESCO, Unicef e Undime, ela mostra que, mesmo em 2026, milhões de crianças e jovens estão fora da escola no mundo e no Brasil, seja por guerra, miséria, desigualdade de gênero, barreiras geográficas ou racismo estrutural. O artigo confronta a contradição entre os avanços da ciência e da tecnologia e a negação de um direito básico, destacando como meninas, pessoas com deficiência, pretas, pardas, indígenas e quilombolas são as mais afetadas. Ao resgatar vozes como Pitágoras e Nelson Mandela, a autora reafirma a educação como bem essencial à condição humana e denuncia a exclusão escolar como forma de marginalizar, retirar dignidade e matar a esperança justamente de quem mais deveria ser protegido: crianças e jovens.

Parece tolice, nos dias atuais, se dedicar um espaço para discutir a Educação como direito de todos, mas, garanto que não o é. Em diversas partes do mundo, e também no Brasil, crianças e jovens estão privados do direito à educação. Nos discursos essa premissa está amplamente difundida e reproduzida, mas, na prática, de fato, a educação não está garantida para todos.

Dados de um relatório da UNESCO, divulgados em 2024, portanto, muito recentemente, revelam que aproximadamente 251 milhões de crianças e jovens, em todo o mundo, ainda estão fora da escola e, grande percentual deles, nunca estudarão.

Por razões diversas, esta parcela bem significativa dos que se encontram no período mais propício à aprendizagem formal, não tem acesso a ela. Em alguns países, a guerra rouba esse direito, noutros, a miséria obriga crianças e jovens a abandonar a escola para trabalhar. Noutros, estudar ainda não é um direito das mulheres. Em algumas regiões, a escola não chega até os moradores do local, consequentemente, a distância e as dificuldades que elas representam, se transformam em obstáculos intransponíveis.

Nos perguntamos: como é possível que estejamos em 2026 e que testemunhemos tamanha contradição? De um lado, assistimos ao advento da ciência e da tecnologia gerando resultados e produtos inimagináveis há algumas décadas; enquanto de outro, vemos um direito básico negado, sem nenhum constrangimento.

Num tempo onde é possível realizar cirurgias à distância, explorar espaços siderais, produzir uma inteligência artificial, ainda, não protegemos os mais vulneráveis. Milhões de crianças e jovens são privados do direito de aprender e, se são meninas, se possuem deficiências, e se são pretas, indígenas ou quilombolas, a situação piora sensivelmente.

A educação é pensada e defendida desde épocas longínquas e muitos filósofos, pensadores, pedagogos e poetas, depositaram nela suas maiores apostas. Pitágoras, na Antiguidade clássica, já dizia que se educássemos as crianças, não teríamos necessidade de punir os homens, portanto, destacava o papel que a educação exerceria na construção de uma sociedade melhor. Mais recentemente, temos nas palavras do grande líder africano, Nelson Mandela, a valorização da educação como a arma mais poderosa que alguém pode usar para mudar o mundo.

Mas, a exclusão não ocorre somente quando não há escola; se dá ainda quando não há vagas suficientes para todos, como indica um levantamento feito pelo Unicef e pela Undime, divulgado em 2025, que aponta que, na Paraíba, mais de 30 mil crianças e jovens em idade escolar obrigatória, ou seja, entre 4 e 17 anos, estão fora da escola e que mais de 50% são meninas. E a situação piora quando as crianças e adolescentes da Paraíba são pretos, pardos e indígenas, pois o índice chega a 79% para esse público (UNICEF, 2024).

De fato, a educação é um bem essencial à condição humana. É através dela que nos humanizamos. A falta de educação gera a exclusão e esta é absolutamente perniciosa, pois, ao destituir alguém do direito à educação, o condenamos à marginalidade. Por sua vez, marginalizar é retirar a dignidade, promover a desesperança. Isso tem efeitos arrasadores, sobretudo, quando as vítimas são crianças e jovens, justamente aqueles a quem deveríamos cuidar, proteger, conduzir.

Por Profa. Dra. Sandra Santiago
7ª edição – março 2026

 

❓ PERGUNTAS PARA LEITORES / RODAS DE CONVERSA SOBRE EDUCAÇÃO

  1. Quando você ouve que “educação é direito de todos”, em que situações concretas essa frase deixa de ser verdade no lugar onde você vive?
  2. O que mais te choca: os números globais (251 milhões fora da escola) ou os dados locais, como os da Paraíba? Por quê?
  3. Que grupos você percebe como mais invisibilizados na conversa sobre acesso à educação (meninas, pessoas com deficiência, povos indígenas, quilombolas…)?
  4. Na prática, o que cada um de nós pode fazer – mesmo em pequena escala – para diminuir a exclusão escolar ao redor?
  5. Como conciliar o entusiasmo com a tecnologia e a ciência com a urgência de garantir o “básico” para todos: o direito de aprender?

 

📚 HASHTAGS SUGERIDAS

thebardnews #jornalthebardnews #direitoaeducação #inclusãoescolar #infância #UNESCO #UNICEF #SandraSantiago #educação2026 #desigualdade

O post Quando É Preciso Falar Sobre O Óbvio apareceu primeiro em The Bard News.

]]>