📚Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história?
Por Sandra Santiago
Jornal The Bard News – 9ª edição – Maio de 2026
📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS
Gênero: Ensaio / Reflexão histórica e ética
Temas centrais: guerra, cultura de paz, ética, ONU, UNESCO, violência, responsabilidade individual e coletiva
📰 RESUMO
A humanidade quase nunca experimentou paz absoluta: a presença de guerras ao longo da história é constante, e o século XXI não é exceção. Em “Da Guerra à Paz: Pode uma nova cultura mudar o curso da história?”, Sandra Santiago discute a brutalidade das guerras – que vão muito além de disputas territoriais – e o rastro de destruição física, emocional e cultural que deixam. A partir da Segunda Guerra Mundial e da criação da ONU, a autora mostra como surgiram esforços para a construção de uma cultura de paz, mas alerta: sem ética, nenhuma estrutura é suficiente.
O texto apresenta três princípios fundamentais para essa cultura de paz, inspirados em iniciativas da ONU e da UNESCO: respeito a todas as formas de vida; rejeição ativa de toda violência; e descoberta da generosidade e solidariedade como base da felicidade e da convivência. Por fim, a autora provoca: sem paz interior, é possível construir paz no mundo? Diante de tantos adoecimentos mentais e de um “caos interno” generalizado, talvez o planeta seja apenas reflexo do que cultivamos dentro de nós. A mudança de cultura começa em cada um, na maneira como enxergamos o outro, a vida e o próprio sentido de existir.

Da Guerra À Paz: Pode Uma Nova Cultura Mudar O Curso Da História?
Talvez seja difícil imaginarmos um mundo de paz, tendo em vista que o planeta terra, praticamente, nunca experienciou a paz absoluta. Alguns historiadores consideram, inclusive, que o percentual de tempo sem conflitos armados, em todo o mundo, é muito pequeno quando se considera a história da humanidade. Portanto, não é de hoje que a humanidade vive em guerra e que diferentes organismos e movimentos sociais discutem estratégias para construção de uma cultura de paz.

De fato, talvez estejamos à beira de um conflito mundial, e se considerarmos o poderio bélico que alguns países detêm, talvez seja a última vez que a humanidade protagonizará tal espetáculo de horror e de dor. Uma pena e não há nenhum interesse aqui em causar pânico, muito pelo contrário: é mais um convite ao engajamento na construção da cultura de paz, ou seja, de refletirmos nosso lugar na história.

Se olharmos para o passado com atenção veremos que um dia foram os indígenas, depois os africanos, mais tarde os judeus, só para citar alguns. Algum momento, pode ser eu e você, não duvide disso. A título de ilustração, temos na última grande guerra, marcas difíceis de serem superadas por uma parcela muito significativa da população. Não à toa, preocupações emergiram desde então para que as relações entre povos e nações se desse de maneira respeitosa e soberana. Algumas ações até culminaram com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, com o objetivo de preservar a paz, mediar relações internacionais, dirimir conflitos e proteger os civis, que, geralmente, são as vítimas indefesas das grandes guerras.
A herança de uma guerra é que inúmeros seres humanos desaparecem e tantos outros têm suas vidas transformadas, suas histórias interrompidas, sua cultura apagada e suas dores escancaradas. Multidões de órfãos e viúvas. Sobreviventes adoecidos para todo o resto de suas vidas. Milhares de deficiências. Novas doenças. E, por fim, uma memória coletiva presa no medo, no sofrimento e na desesperança. Então, subjacentes às guerras não estão somente os interesses econômicos; é possível identificar muito mais. O mundo todo sangra, embora, alguns se achem vencedores e finjam não enxergar sua real condição. Todos são derrotados.
Seja na Antiguidade, seja no Século XXI, a guerra evidencia tão somente a brutalidade, a animalidade, a violência, a maldade. Não há justificativa para a guerra, mas, não há limites para a desfaçatez para tentar justificar o que é injustificável. E, apesar dos avanços científicos e tecnológicos, a trajetória civilizatória é muito frágil. Para onde foi o sentido ético da existência? Como nos perdemos de nós mesmos? Que valor tem a vida humana? Sem ética, tudo é descartável, até mesmo a vida. Sem ela, o humano esquece de humanizar-se, e recorre aos seus instintos mais primitivos para ser o centro de tudo, mesmo que esteja nele sozinho.
Atentar contra a vida, esse bem maior, não pode ser justificável. Destruir o semelhante, propagar a violência é um atestado de animalidade. Infelizmente, essas são premissas que sustentam a guerra, em pequena ou larga escala. O outro não vale nada, especialmente quando comparado a um pedaço de terra, uma jazida de ouro ou um barril de petróleo. Não importa o que digam, na guerra, de fato, nenhuma vida importa.
Mas, é preciso ser esperançoso e acreditar que ainda podemos fazer algo a respeito. Nessa perspectiva, baseado nas reflexões de Diskin e Roizman (2021) sobre os movimentos da ONU e da UNESCO (2000) em prol da paz no mundo, apresentaremos alguns princípios que são capazes de nos ajudar na construção da cultura de paz em nós, na nossa casa, no bairro, na cidade, no estado, no país e, portanto, no mundo inteiro.
Acreditamos que a construção da cultura de paz é de responsabilidade de todos e de cada um. Não dá para colocar tamanha responsabilidade na mão dos políticos. Para tanto, é preciso resgatar princípios. Respeitar a vida é o primeiro deles. Não um respeito qualquer ou para alguns. Estamos falando de RESPEITO por todas as formas de vida, inclusive do planeta, dos animais, dos vegetais, dos minerais e dos seres humanos, claro! Toda vida tem valor e precisa ser preservada, eis o princípio da paz.
O segundo princípio de alguém que se compromete em construir a cultura de paz é o de rejeitar toda e qualquer forma de violência: física, sexual, psicológica, econômica ou social. E não basta não praticar a violência; é necessário não admitir sua existência, defender qualquer vítima e denunciar o agressor, ou seja, não se omitir, não se calar, assumir a postura de paz.

O terceiro princípio da cultura de paz é o da descoberta da generosidade e da solidariedade como alicerces da felicidade. Esse princípio se funda na ideia de que ninguém é feliz sozinho, portanto, é essencial compartilhar tempo, recursos, conquistas para conseguir superar as adversidades. Em nível micro, afeta as relações humanas e, em nível macro, impacta as relações entre nações e grupos, pois, quando se almeja o bem comum, ninguém será esquecido, abandonado, eliminado. Ninguém é um rival, um adversário ou inimigo. De tal modo, a generosidade e a fraternidade são recursos que inspiram e alicerçam a cultura de paz.
Diante disto, nos perguntamos: pode uma nova cultura mudar o curso da história ou será que o desejo pela destruição faz parte do ser humano? De fato, talvez, ainda estejamos longe de garantir a paz no mundo porque para dar, antes, é preciso ter. Será que, sem paz interior, alcançaremos a paz no mundo? Nunca antes se viu tantos indícios de adoecimentos mentais, depressão, ideação suicida…Então, se a humanidade vive um caos interno, é válido pensar que o mundo é só um reflexo? Ou somos donos do nosso destino e, portanto, formamos um todo que pode ser talhado no amor, na generosidade, na solidariedade e, portanto, na paz?
Vamos refletir…

❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA (COM RESPOSTAS)
- Por que o texto insiste que “todas as guerras são derrotas”, mesmo quando alguns se consideram vencedores?
Resposta: Porque, para além de ganhos econômicos ou territoriais, a guerra sempre deixa desaparecidos, traumas, destruição cultural, doenças e uma memória coletiva de medo e desesperança. Nesse sentido, independente de quem “vence” militarmente, a humanidade como um todo sai ferida. - Qual é a crítica central à ideia de progresso civilizatório frente à existência de guerras recorrentes?
Resposta: A autora mostra que, apesar de avanços científicos e tecnológicos, a trajetória civilizatória é frágil, pois sem ética a vida se torna descartável. O contraste entre sofisticação técnica e brutalidade moral evidencia que continuamos recorrendo a instintos primitivos de dominação e destruição. - Quais são os três princípios propostos para a construção de uma cultura de paz?
Resposta: (1) Respeito por todas as formas de vida – humanas e não humanas; (2) Rejeição ativa de toda forma de violência (física, sexual, psicológica, econômica, social), incluindo não se omitir diante dela; (3) Descoberta da generosidade e da solidariedade como alicerces da felicidade, entendendo que ninguém é feliz sozinho. - Por que a autora afirma que não é possível delegar a construção da cultura de paz apenas aos políticos ou às instituições?
Resposta: Porque a cultura de paz depende de princípios e práticas cotidianas que envolvem cada indivíduo: a forma como tratamos o outro, como reagimos à violência e como exercitamos solidariedade. Sem essa base, decisões políticas e estruturas institucionais não se sustentam na vida real. - Qual é a relação estabelecida entre paz interior e paz mundial?
Resposta: O texto sugere que o mundo pode ser reflexo do caos interno da humanidade: altos índices de depressão, adoecimento mental e desesperança indicam que falta paz dentro das pessoas. A pergunta é se é possível construir paz externa sem antes cultivar paz interior – um convite à responsabilidade pessoal pelo próprio equilíbrio e pela forma de se relacionar com o mundo.
🏷️ HASHTAGS SUGERIDAS
#guerra e paz, #cultura de paz, #ética, #onu, unesco, #violência, #solidariedade, #generosidade, #saúde mental, #sandra santiago, #the bard news


