📚Violência começa na palavra: o impacto das atitudes na juventude
Por Cláudia Faggi
Jornal The Bard News – 9ª edição – Maio de 2026
📊 INFORMAÇÕES BÁSICAS
Gênero: Crônica / Ensaio pessoal
Temas centrais: adolescência, violência verbal, bullying, redes sociais, maternidade, educação, saúde emocional
📰 RESUMO
Partindo da própria experiência como mãe de um adolescente, Cláudia Faggi reflete sobre uma forma de violência tão comum quanto subestimada: a que começa na palavra. O texto mostra como piadas, apelidos, comentários e julgamentos “de brincadeira” podem se transformar em agressões contínuas que afetam profundamente a autoestima, a saúde emocional e as relações dos jovens.
A autora destaca o papel das redes sociais na amplificação da violência verbal e denuncia a naturalização de comentários machistas, homofóbicos e preconceituosos, muitas vezes tratados como “coisa de jovem”. Ao defender que respeito se ensina também na forma de falar, ela convoca pais, educadores e sociedade a romper o ciclo da agressão simbólica, investindo na escuta, no diálogo e no fortalecimento emocional dos adolescentes. A adolescência, lembra Cláudia, forma caráter, e nós, adultos, somos responsáveis por que tipo de futuro ajudamos a construir com as nossas palavras.

Violência começa na palavra: o impacto das atitudes na juventude
Tenho um filho adolescente. Provavelmente esse é o maior motivo pelo qual resolvi escrever sobre essa fase. Entendi que estudar os movimentos, momentos e atitudes ajudam a construir a relação entre mãe e filho. Essa relação é composta por amor e honestidade, e é isso que eu busco quando escrevo esse texto. Não sou psicóloga. Sou jornalista e mais uma mãe que tenta se aprofundar no caos da maternidade e ao mesmo tempo ter empatia por outras mães. Estamos no mesmo barco!
Ainda sobre o contexto em observar atitudes, eu acompanho as amizades e as relações adolescentes.
O que eu percebi?
Que a violência começa na palavra.
A violência que marca o cotidiano de muitos jovens nem sempre começa com empurrões, socos ou ameaças explícitas. Muitas vezes, ela nasce antes, na palavra, no tom de voz, no comentário aparentemente inofensivo, na piada que humilha, no julgamento constante.
Entre adolescentes, a linguagem tem um peso enorme na construção da identidade e da autoestima. Uma frase dita em tom de desprezo, um apelido repetido em tom de deboche ou uma mensagem agressiva nas redes sociais podem deixar marcas profundas. O que para alguns parece “brincadeira” pode se transformar em um processo silencioso de desvalorização e exclusão.
No ambiente digital, esse fenômeno ganha proporções ainda maiores. Comentários ofensivos, ataques em grupo e exposições humilhantes circulam rapidamente, ampliando o alcance da agressão. A palavra escrita, compartilhada e replicada nas telas, muitas vezes se torna uma arma invisível que acompanha o jovem para além da escola.

Especialistas em comportamento alertam que atitudes verbais agressivas têm impacto direto na saúde emocional dos adolescentes. Ansiedade, insegurança, isolamento e queda no rendimento escolar são apenas alguns dos efeitos observados quando a violência simbólica se torna rotina. Em muitos casos, o jovem não reage, não denuncia e sequer consegue nomear o que está vivendo.
Parte do problema está na naturalização dessas atitudes. Comentários machistas, homofóbicos, preconceituosos ou simplesmente desrespeitosos ainda são tratados como algo banal. Quando adultos minimizam essas falas ou as classificam como “coisa de jovem”, acabam reforçando um ambiente em que a violência verbal se torna aceitável.
O adolescente aprende observando. Palavras agressivas dentro de casa, nas redes sociais ou no espaço público acabam sendo reproduzidas no convívio entre colegas. Assim, cria-se um ciclo em que a violência se espalha não apenas por ações, mas principalmente por discursos.
Romper esse ciclo exige atenção coletiva. Pais, educadores e a própria sociedade precisam compreender que respeito também se ensina na forma de falar. Escuta, diálogo e limites claros são ferramentas fundamentais para construir relações mais saudáveis.
Ignorar agressões verbais é permitir que a violência cresça em silêncio. Porque, muitas vezes, tudo começa com uma palavra, e é justamente ali que também pode começar a mudança.
Eu acho muito importante o investimento emocional. Temos de tornar os nossos filhos mais fortes, afinal, eles precisam reagir, lutar por espaço, pelas suas ideias, pelo que eles acreditam.
A adolescência forma caráter.
Nós somos responsáveis pelo futuro dos nossos jovens.
❓ PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA (COM RESPOSTAS)
- Por que o texto afirma que “a violência começa na palavra”?
Resposta: Porque muitas violências que aparecem depois em forma de agressão física começam antes em comentários, tom de voz, piadas humilhantes, apelidos e julgamentos constantes. A autora mostra que essas formas de agressão verbal podem desvalorizar, excluir e ferir a identidade do jovem, sendo o ponto de partida de processos de violência mais amplos. - Como o ambiente digital intensifica a violência verbal entre adolescentes?
Resposta: Nas redes sociais, comentários ofensivos, ataques em grupo e exposições humilhantes circulam com rapidez e grande alcance. A palavra escrita e compartilhada vira uma “arma invisível” que acompanha o jovem para além da escola, prolongando e ampliando o impacto da agressão. - O que significa a “naturalização” da violência verbal e por que ela é perigosa?
Resposta: Naturalização é tratar comentários agressivos (machistas, homofóbicos, preconceituosos ou desrespeitosos) como algo banal, “coisa de jovem” ou “brincadeira”. Isso é perigoso porque legitima essas falas, impede que sejam questionadas e cria um ambiente em que a violência simbólica é vista como normal, dificultando que os jovens reconheçam e denunciem o que vivem. - Qual o papel dos adultos (pais, educadores, sociedade) na reprodução ou ruptura desse ciclo?
Resposta: Os adultos podem reforçar a violência verbal quando minimizam ou reproduzem essas atitudes, pois o adolescente aprende observando. Por outro lado, podem ajudar a romper o ciclo ao dar exemplo de respeito na forma de falar, ouvir os jovens, estabelecer limites e levar a sério as agressões verbais, em vez de ignorá‑las. - O que a autora chama de “investimento emocional” nos filhos?
Resposta: Ela se refere ao esforço consciente de fortalecer emocionalmente os adolescentes: ajudá‑los a lidar com conflitos, defender suas ideias, reagir a injustiças e construir autoestima. Isso inclui presença, diálogo, acolhimento e também limites, para que eles não sejam apenas protegidos, mas preparados para enfrentar o mundo sem reproduzir a mesma violência que os fere.
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