Por que apertamos as mãos? A origem do cumprimento mais comum do mundo

📚 Por que apertamos as mãos? A origem do cumprimento mais comum do mundo.

Por Stella Gaspar
Jornal The Bard News – 10ª edição – Junho 2026

 

📰 RESUMO 

O aperto de mão, gesto aparentemente simples, carrega séculos de história, simbolismo e funções sociais. Desde os templos egípcios até as cortes medievais, ele serviu para sinalizar paz, confiança e acordos. O texto explora as raízes do gesto, dexiosis na Grécia, a necessidade de demonstrar que não se carregava armas e a prática dos cavaleiros antes dos duelos e mostra como, apesar das mudanças culturais, o aperto continua sendo um código silencioso de conexão, respeito e cooperação.

Entre versões conflitantes e análises minuciosas, um aperto de mão ganha proporções que ultrapassam o simples cumprimento e se tornam parte de uma narrativa maior.

Hieróglifos foram descobertos em templos egípcios, indicando que um deus estendeu sua mão a um humano para algum poder concedido, ou como uma abordagem para receber as bênçãos dos deuses.

Existem diferentes explicações, afirmando que o aperto de mão começou já nos tempos antigos. Para estes, o aperto de mão era uma forma de indicar a outros homo sapiens que não estavam carregando armas e visavam estabelecer uma relação pacífica entre si.

Historiadores dizem que a versão mais popular explicaria até por que as mulheres não costumam apertar as mãos para se cumprimentar: apenas os homens eram os que tinham braços para enfrentar predadores e as pessoas que consideravam perigosas.

Há outro lado que remonta a um período muito mais recente: a Idade Média. Uma das primeiras coisas que os cavaleiros faziam antes dos duelos era mostrar que não tinham armas escondidas, apenas o que seguravam nas mãos. Mas isso deixaria os competidores um tanto expostos e permitiria que a vítima atacasse seu oponente. Consequentemente, o gesto foi substituído por apertos de mão.

A maioria dos estudos sugere que o aperto de mão foi compartilhado pela primeira vez em civilizações antigas, como os gregos e romanos.

Os gregos até inventaram uma palavra para isso. Dexiosis (do grego δεξίωσις, que significa “cumprimento” em grego) é o ato de estender a mão direita para cumprimentar.

O aperto de mão pode ser considerado um sinal de concordância mútua, gentileza e paz. Desde a Grécia clássica, este fazia parte do nosso ritual de saudação.

O mais interessante é que, mesmo com as mudanças culturais, esse ato ainda é um dos nossos rituais sociais mais universais. Isso é exatamente o que antropólogos e historiadores enfatizam quando estudam esse ritual social. Alguns leem o aperto de mão como um microritual de “troca simbólica”: um contato rápido que demonstra que ambos concordam com o clima de confiança compartilhada, mesmo que apenas por um curto período.

Historicamente, o aperto de mão é um gesto encontrado em muitas sociedades.

  • Os romanos empregavam o gesto para finalizar contratos políticos e militares.
  • Os povos germânicos o adotaram como um sinal de honra pelos guerreiros.
  • Comerciantes medievais já o utilizavam para fechar negócios antes de contratos formais. Para todas as diferentes orientações culturais que impactam comportamentos e práticas sociais em todo o mundo, o gesto básico de um aperto de mão manteve, ao longo dos séculos, um significado surpreendentemente duradouro: sinal de acordo, de respeito, de respeito que permite que o outro seja tratado como parceiro.

 

A Linguagem Invisível do Aperto de Mão.

Com pequenos gestos, podemos expressar algo que mil palavras teriam dificuldade o aperto de mão é cheio de significado. Por meio dele, podemos avaliar preliminarmente a pessoa que nos recebe. A melhor maneira de iniciar um relacionamento, por mais simples que pareça, é transformar um aperto de mão em um verdadeiro símbolo de companheirismo entre duas pessoas.

Vale lembrar que, como a reverência japonesa diz muito por meio de sua sutileza ângulo da cabeça, posição das mãos, alinhamento do olhar, tudo aponta para diferentes níveis de humildade, admiração e respeito, também nosso aperto de mão ocidental transmite detalhes.

Nós, ocidentais, temos nossos apertos de mão na sociedade moderna todos os dias, até várias vezes ao dia. A linguagem invisível do aperto de mão é o instante em que duas histórias se encontram, um breve encontro entre mundos instantaneamente compreendidos sem nenhuma palavra. É a sensibilidade do aperto de mão que fala sobre o que ainda não foi dito pela voz.

Um ponto interessante feito pela escritora e pesquisadora Ligia Fascioni (2021) é que apertar as mãos é mais do que contato físico. Estimula a liberação de ocitocina: o hormônio associado à conexão social, que nos faz sentir bem-vindos e emocionalmente próximos ao outro.

A escritora mencionada ilustra esse aspecto, por exemplo: em Gana, o aperto de mão termina com um estalo de dedos; na Nigéria, o mais comum é estalar ou pressionar apenas os polegares (e quanto mais alto, melhor!); na Namíbia, o aperto de mão é precedido por aplausos; os indianos combinam o gesto com a extensão da outra mão ao coração.

O aperto de mão, por mais simples que pareça, continua sendo um dos códigos silenciosos mais poderosos da convivência humana. Ele revela intenções, estabelece vínculos e traduz emoções que as palavras nem sempre alcançam. Compreender essa linguagem invisível é aprender a ler o outro e, sobretudo, a comunicar quem somos sem precisar dizer nada.

“Não se pode apertar mãos com os punhos fechados”. (Indira Gandhi).

O aperto de mão: é quase um pacto.

Um ato que reconhece o outro e faz uma promessa silenciosa por um momento. O aperto de mão ainda serve como um símbolo tangível de que as relações humanas são baseadas em contato, confiança e paz. É mais do que um ato amigável; é um chamado silencioso para a confiança.

Mesmo entre estranhos, um toque, por menor que seja, cria uma ponte que nenhuma palavra consegue construir. Em um momento em que quase tudo é mediado por telas, o aperto de mão continua sendo um dos códigos vitais. E nos diz que nós também, com toda a tecnologia, ainda precisamos tocare sentir para acreditar.

De fato, o aperto de mão forma um vínculo. Ele sela acordos. Ele humaniza. E talvez seja exatamente por isso que é tão indispensável cada vez mais.

 

PERGUNTAS PARA O LEITOR / CLUBE DE LEITURA

  1. Qual a origem mais antiga sugerida para o gesto de apertar as mãos?
    Resposta: Hieróglifos egípcios que mostram um deus estendendo a mão a um humano.
  2. Como os gregos chamavam o ato de estender a mão para cumprimentar?
    Resposta: Dexiosis.
  3. Qual era a função do aperto de mão na Idade Média entre cavaleiros?
    Resposta: Demonstrar que não carregavam armas escondidas antes de um duelo.
  4. Que hormônio é liberado ao apertar as mãos, segundo Ligia Fascioni?
    Resposta: Ocitocina.
  5. Cite uma variação cultural do aperto de mão mencionada no texto.
    Resposta: No Gana o aperto termina com um estalo de dedos.

 

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